Presidente Sérgio Duarte defende investimento estrutural para garantir crescimento do clube, que reúne 900 atletas e quer manter estabilidade financeira sem perder identidade formadora.
O presidente do Clube Desportivo (CD) da Póvoa, Sérgio Duarte, assumiu que a construção de um centro de estágios e de um segundo pavilhão são as duas grandes prioridades estruturais do clube para os próximos anos. Em entrevista ao E24 conduzida por João Pedro Lopes, o dirigente destacou o crescimento da instituição, a recuperação financeira alcançada nos últimos quatro anos e reforçou a aposta na formação como “adn” do clube.
“O Desportivo da Póvoa é um clube de formação”, vincou Sérgio Duarte, lembrando que essa filosofia acompanha a instituição desde a fundação, em 1943. Atualmente, o clube movimenta cerca de 900 atletas em várias modalidades, entre basquetebol, hóquei em patins, voleibol e futsal.

O dirigente revelou que o maior sonho passa pela criação de um centro de estágios na zona das antigas piscinas interiores, inutilizadas após a pandemia. Na visão do presidente, esse investimento permitiria transformar o clube e a própria cidade num polo desportivo de maior dimensão.
“Se tivéssemos um centro de estágios, projetávamos o clube e a cidade para outro patamar”, afirmou.
Além disso, Sérgio Duarte considera urgente a construção do segundo pavilhão previsto no projeto original das instalações atuais, inauguradas há quase três décadas. O crescimento do número de atletas está já a criar dificuldades logísticas significativas.
“Temos um problema muito grave de espaços de treino”, alertou. Atualmente, além do pavilhão principal, o Desportivo utiliza vários equipamentos da cidade para conseguir responder à procura.
Clube recuperou de cenário financeiro crítico
Sérgio Duarte recordou que encontrou um clube numa situação financeira delicada quando assumiu a presidência há quatro anos. Segundo o dirigente, existiam dívidas, penhoras e até risco de continuidade da atividade.
“O primeiro ano foi duro, houve muitas noites sem dormir”, admitiu.
Apesar disso, garante que o cenário mudou. O presidente afirma que o clube está hoje financeiramente estabilizado graças a uma gestão rigorosa e à definição de limites orçamentais claros, mesmo nas equipas séniores.
O exemplo mais recente aconteceu no basquetebol. O Desportivo acabou por descer de divisão após várias lesões no plantel, mas recusou ultrapassar o orçamento inicialmente definido para contratar substitutos.
“Não podíamos subir um cêntimo ao orçamento”, explicou.
Ainda assim, o objetivo passa agora por voltar a consolidar a presença na Liga de Basquetebol. No hóquei em patins, o foco está no regresso à primeira divisão, enquanto o voleibol e o futsal continuam em crescimento.

Relação “muito próxima” com o Varzim
Questionado sobre uma eventual aproximação ao Varzim SC, Sérgio Duarte rejeitou qualquer rivalidade institucional e descreveu os dois clubes como “irmãos”.
O dirigente destacou a colaboração logística entre ambas as instituições, sobretudo ao nível dos transportes e apoio operacional, considerando que existe atualmente uma relação “extremamente próxima”.
Também deixou elogios ao apoio da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, classificando a autarquia como “um parceiro excecional”, sobretudo no financiamento da formação.
“O amor ao clube move-me diariamente”
Médico de profissão, Sérgio Duarte reconheceu a dificuldade em conciliar a vida profissional com a presidência de uma estrutura desta dimensão, mas garante manter intacta a motivação.
“O Clube Desportivo da Póvoa faz parte de mim”, afirmou.
O dirigente diz que o principal objetivo passa por continuar a afastar os jovens do sedentarismo e dos “perigos digitais”, utilizando o desporto como ferramenta de integração, disciplina e criação de espírito comunitário.
“Entram no Desportivo e nunca mais saem”, resumiu.



