Associação criada em Esposende por Carluz Belo quer apoio comunitário, pedagogia social e mais visibilidade LGBT+ numa região ainda marcada pelo “conservadorismo”.
A recém-criada associação Minho Arco-Íris, sediada em Esposende, quer afirmar-se como uma nova voz na defesa dos direitos humanos, da diversidade e da inclusão LGBT+ no Minho. O projeto arrancou em 2026 pela mão de Carluz Belo, músico, cantor e ativista social, natural de Esposende, que defende que ainda existe “muito silêncio” e receio entre pessoas LGBT+ na região.
Em entrevista ao programa Sentido Único, Carluz Belo explicou que a associação nasceu da necessidade de “desempoeirar um bocadinho o ar e as mentes” numa zona tradicionalmente vista como conservadora.
“O Minho pode ser conservador em vários sentidos. Há famílias mais abertas, outras mais fechadas. Mas sentimos que ainda existe muita gente a viver isto em silêncio”, afirmou.
A associação pretende trabalhar áreas como o combate à discriminação, apoio comunitário, educação para a cidadania e promoção de espaços seguros para pessoas LGBT+, sobretudo fora dos grandes centros urbanos.
Carluz Belo considera que Portugal conquistou direitos importantes nas últimas duas décadas — como casamento civil, adoção e autodeterminação de género — mas alerta que esses avanços “são frágeis”.
“Os direitos podem ser perdidos a qualquer momento. Basta olhar para o ambiente político e social atual”, disse.
O presidente da Minho Arco-Íris admite também que continua a existir medo entre casais homossexuais em cidades do Minho, sobretudo entre homens.
“Em Barcelos, Esposende, Guimarães ou Famalicão não é comum ver dois homens de mão dada. Muitas pessoas ainda pensam duas vezes antes de demonstrarem carinho na rua”, afirmou.
Outro dos temas abordados foi o bullying homofóbico nas escolas e o impacto das redes sociais. Para Carluz Belo, plataformas digitais como o TikTok estão a amplificar discursos de ódio e extremismo entre os mais novos.
“Os miúdos estão a levar o pior da tecnologia. Existe muita desinformação e isso alimenta preconceitos”, alertou.
A Minho Arco-Íris já promove tertúlias quinzenais em Esposende sobre temas LGBT+ e garante que tem recebido participantes vindos de Braga, Porto, Viana do Castelo, Galiza, Coimbra e Santarém.
“Fora do Porto e Lisboa existem poucas respostas deste género no país real”, sublinhou.
A associação prepara agora a quinta edição da Marcha do Orgulho de Esposende, marcada para o próximo 23 de maio, às 16h00, junto à estátua de D. Sebastião, perto das piscinas municipais.
O evento incluirá uma homenagem ao povo pescador de Esposende, distribuição de cravos coloridos e interpretação de “Grândola, Vila Morena”.
“Não é apenas uma marcha LGBT. É uma celebração da liberdade e da diversidade”, defendeu.
Sobre a ausência da bandeira arco-íris em edifícios municipais de Esposende, Carluz Belo lamenta que ainda exista resistência institucional.
“Não devia ser uma questão de coragem política. Devia ser uma questão de humanismo e respeito”, afirmou.
O ativista deixa ainda críticas ao uso político da temática LGBT e ao crescimento de discursos considerados hostis por parte de setores mais radicais.
“Há tentativas claras de gerar desinformação e criar medo em torno da população LGBT”, acusou.
A Minho Arco-Íris promete continuar a apostar na pedagogia social, apoio psicológico e presença pública no Minho. Para Carluz Belo, a principal mensagem é simples: “É muito importante vivermos de forma autêntica e sem vergonha.”




