Carregamento de 350 quilos escondido em camião de almofadas foi intercetado na A25 pela PJ; arguido limiano reincidente continuou a traficar droga sintética K4 dentro da Cadeia de Braga
O Ministério Público (MP) de Vila Nova de Famalicão já deduziu acusação formal contra um jovem de Barcelos e um empresário de camionagem de Fátima, ambos em regime de prisão preventiva. Os dois arguidos vão responder no Palácio da Justiça de Braga pelo crime de tráfico de estupefacientes agravado, na sequência da apreensão de uma carga massiva de canábis avaliada em seis milhões de euros junto à fronteira de Vilar Formoso.
O despacho de acusação detalha que a substância ilícita seria oriunda de Espanha e tinha como destino o abastecimento de redes criminosas noutros países europeus, com especial foco na Polónia e na Suíça. No total, a operação culminou no confisco de 348,7 quilos de canábis, volume suficiente para a produção estimada de cerca de um milhão de doses individuais.
Droga dissimulada em paletes de almofadas decorativas
A detenção, sob a chancela da Polícia Judiciária (PJ) de Leiria, remonta a 13 de abril de 2025, na Área de Serviço de Alto Leomil (A25), localizada no concelho de Almeida, a escassos quilómetros da fronteira. Durante a abordagem ao veículo pesado de mercadorias, os inspetores detetaram uma complexa engenharia de dissimulação:
- A Carga: Estavam distribuídas 33 europaletes contendo 3.168 almofadas decorativas (num total de quase 3 toneladas de mercadoria lícita);
- O Esconderijo: Escondidas entre a carga legítima, encontravam-se 72 caixas de cartão (com etiquetas vermelhas e a inscrição Bianco) que acondicionavam 317 embalagens plásticas seladas com a canábis.
A investigação da PJ apurou que Wilson G., de 41 anos, empresário de transporte internacional residente em Fátima, aproveitava a logística das suas duas empresas (também constituídas arguidas) para transportar droga sem o conhecimento dos seus motoristas. Por sua vez, Nuno A., de 25 anos, residente em Couto de Cambeses, Barcelos, atuava como “batedor”, circulando num ligeiro quilómetros à frente dos camiões para monitorizar e avisar sobre eventuais controlos policiais, recebendo um pagamento fixo de 2.500 euros por viagem.
Reincidência e tráfico de sintéticos dentro do estabelecimento prisional
O jovem barcelense, Nuno A., possui já um historial associado ao narcotráfico. O arguido cometeu este crime em situação de reincidência, tendo cumprido anteriormente uma parte de uma pena de seis anos e oito meses de prisão, resultante de um processo instruído pela PJ de Braga.
A sua conduta voltou a agravar-se após o seu regresso ao Estabelecimento Prisional de Braga para aguardar o desfecho deste novo processo. O detido foi apanhado em flagrante por duas vezes com estupefaciente K4 dentro da cela. A K4 é uma substância sintética pulverizada em folhas de papel, indetetável pelo odor ou cor, altamente perigosa pelas crises psicóticas e surtos de violência extrema que provoca nos reclusos. No mercado inflacionado das prisões, uma única folha deste papel chega a atingir o valor de cinco mil euros, dez vezes mais do que o seu custo no mercado de rua.
Fase de Instrução poderá travar julgamento imediato
Apesar de a acusação já estar formalizada e o julgamento agendado para o Palácio da Justiça de Braga, as defesas dos arguidos estudam a abertura de uma fase de instrução. Trata-se de um mecanismo processual facultativo no direito penal português, conduzido por um Juiz de Instrução Criminal (JIC), onde os advogados tentarão contestar ou atenuar o libelo acusatório do Ministério Público antes de o caso transitar em definitivo para o tribunal de julgamento.
Para os profissionais do foro jurídico ou cidadãos interessados em consultar estatísticas criminais, jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça sobre tráfico agravado ou o organograma das comarcas judiciais, os dados oficiais estão acessíveis no portal do DGPJ – Direção-Geral da Política de Justiça.



