A Ordem dos Médicos (OM) apresentou, na Guarda, um conjunto de 13 medidas para fixar profissionais de saúde em zonas carenciadas, com o objetivo de “contrariar a resposta” que tem sido dada, considerada “avulsa, temporária e reativa”.
Entre as propostas, está a criação de protocolos entre o Ministério da Saúde e os municípios para garantir “condições materiais mínimas” para a instalação dos médicos e das suas famílias, através de habitação a custos controlados, reabilitação de imóveis municipais e benefícios fiscais locais. A OM defende ainda vagas de internato em territórios de baixa densidade como prioritárias, com estatuto diferenciado, valorização curricular e remuneratória, e a criação de “redes de referenciação formais e integradas” entre unidades de saúde.
O bastonário Carlos Cortes sublinhou que “os territórios de baixa densidade e insularidade representam 78% da área nacional e a população contabilizada soma 2,4 milhões de pessoas”. Na Guarda, a ULS registava 18.022 utentes sem médico de família em junho de 2026, correspondendo a 12,8% dos inscritos.
“Por detrás destes números estão pessoas que precisam de acompanhamento, famílias que reorganizam a vida para chegar a uma consulta e profissionais que se desdobram”, afirmou Cortes, que alertou: “Quando se perde capacidade de cuidar, perde-se também confiança para viver, trabalhar e criar uma família nesses territórios”.
O bastonário defendeu que “a Ordem dos Médicos não aceita um SNS a duas velocidades” e apelou ao Governo para apresentar “um plano de execução destas propostas, com níveis de prioridade, financiamento dedicado, responsáveis definidos, prazos e metas” .















