O Ministério Público (MP) decidiu manter a Polícia Judiciária (PJ) fora da investigação ao atrelado apreendido numa operação contra o tráfico de droga e posteriormente localizado nas instalações da Construbarcelos, empresa de um empresário de Barcelos que realizou obras numa propriedade do ministro da Administração Interna, Luís Neves.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou esta quarta-feira, 22 de julho, que o inquérito está entregue ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e será conduzido diretamente pelos magistrados do Ministério Público.
“A investigação encontra-se a cargo do MP deste departamento e não será, por ora, delegada em qualquer órgão de polícia criminal”, esclareceu a PGR.
PJ: Empresário de Barcelos ligado às obras de Luís Neves recebeu 2,3 milhões da PJ em 17 contratos
A decisão impede, pelo menos nesta fase, que a própria PJ investigue as circunstâncias em que o atrelado saiu do local onde se encontrava à guarda das autoridades e acabou parqueado em Barcelos.
Atrelado estava ligado à Operação Pacoba
O veículo pesado tinha sido apreendido no âmbito da denominada “Operação Pacoba”, realizada em 2024 contra uma rede internacional de tráfico de cocaína. No interior encontravam-se bidões com acetona e outros produtos químicos utilizados no processamento de estupefacientes. A PJ esclareceu, entretanto, que as substâncias transportadas não têm, por si só, natureza estupefaciente.
O atrelado foi encontrado acoplado a um camião da Construbarcelos, empresa de João dos Santos Carvalho. O empresário, que frequenta Esposende e esteve ligado a clube daquele concelho, é apontado como amigo de Luís Neves e realizou trabalhos numa propriedade do atual ministro em Odemira.
A construtora também celebrou vários contratos com a Polícia Judiciária durante o período em que Luís Neves dirigia aquela força de investigação criminal. O atual governante deixou a direção nacional da PJ em fevereiro de 2026 para assumir o Ministério da Administração Interna.
Após a localização do veículo, a PJ retirou-o das instalações da empresa e colocou-o novamente à guarda das autoridades. A própria direção nacional da Judiciária anunciou então a abertura de averiguações internas para apurar as condições em que o bem apreendido foi movimentado.










