Todos sabemos uma coisa: a Liberdade nasceu a 25 de Abril!
Não é jargão, slogan ou programa político, é o sentimento puro de todos aqueles que viveram o momento. E se os que viveram esse momento sentiram que aquele era o início de um novo tempo, de uma nova vida que ali começava, por isso estranho que os que já nasceram em plena liberdade o queiram contradizer.
“Abril” foi uma revolução, e como dizia o poeta, uma revolução não é um convite para jantar ou ir beber chá. Numa revolução existem mudanças, alterações, confrontos, decisões duras, pessoas que perdem privilégios, uns que perdem o poder político e financeiro que tinham para que outros o ganhem.
As revoluções são assim, é a vida, como gostamos de dizer tantas vezes.
Hoje em dia, alguns que sempre viveram em liberdade querem fazer crer que uma revolução como a de Abril deveria ter sido um “valente nada”, não ter alterado quase nada. Poderia ter sido um pequeno sobressalto na vida política, como umas legislativas antecipadas ou um Orçamento de Estado chumbado. Mas felizmente, para todos os que combatiam em África uma guerra sem sentido, não o foi.
Podemos dizer, sem problemas, que foi “Abril” que deu a hipótese a toda uma geração de ter uma vida no regresso a casa e não a ver ceifada numa qualquer mata na Guiné.
Para eles, ainda bem que a revolução não foi um “valente nada”.
Hoje em dia, alguns dos que viveram sempre em liberdade interrogam-se sobre quando se viveria melhor, dizendo até que havia menos corrupção. Mas se hoje deixámos de ser o país mais subdesenvolvido da Europa Ocidental, foi “Abril” que trouxe essa vaga de desenvolvimento para todos nós.
Para todos nós, ainda bem que a revolução não foi um “valente nada”.
E “Abril” foi também uma revolução internacional, que trouxe liberdade e independência além-mar a milhões de pessoas, libertando os nossos países irmãos de África de um império que há muito deveria ter terminado.
Para todos esses milhões, ainda bem que a revolução não foi um “valente nada”.
Se houve erros durante o PREC? Sim, claro. Se houve pessoas erradamente julgadas? Sim, claro. A economia não funcionou logo após a revolução? Claro que não.
Mas apontem-me uma revolução onde isso não tenha ocorrido.
52 anos depois, continuam a existir problemas por resolver? Sim, existem. Mas serão bem menos do que aqueles que tínhamos a resolver a 24 de Abril de 1974.




