O grupo têxtil de Barcelos associado à marca Ana Sousa, que integra a Flor da Moda e a empresa comercial MJJS, está a negociar um Plano Especial de Revitalização (PER) para fazer face a uma dívida global de cerca de 12 milhões de euros.
O processo inclui despedimentos coletivos e uma profunda reestruturação do negócio.
A Flor da Moda, unidade industrial, e a MJJS, responsável pela exploração da rede de lojas da estilista, são presididas por João Sousa, marido de Ana Sousa. A
mbas as empresas têm sido afetadas por quebras acentuadas nas vendas desde a pandemia de covid-19, acumulando prejuízos significativos nos últimos anos.
Em 2024, a faturação da Flor da Moda caiu para 5,7 milhões de euros, cerca de um terço do valor registado antes da pandemia. Já a MJJS registou vendas de apenas 1,7 milhões de euros, acumulando prejuízos de 3,4 milhões de euros entre 2020 e 2024.

A quebra de receitas, aliada a custos fixos elevados e a um desempenho abaixo do esperado da marca própria, levou ao aumento do endividamento bancário e às dívidas à Segurança Social e ao Fisco.
O PER da Flor da Moda envolve uma dívida de 8,9 milhões de euros a 234 credores, com o Estado a liderar a lista, seguido da banca, incluindo BCP, Bankinter e Santander. A MJJS apresenta uma dívida próxima dos três milhões de euros, também com o Estado como principal credor.
Os planos de revitalização preveem despedimentos coletivos.
A Flor da Moda deverá reduzir o quadro de pessoal de 144 para 127 trabalhadores até 2026. Já a MJJS planeia encerrar a maioria das lojas, mantendo apenas quatro unidades e um total de oito funcionários.
No plano estratégico, a Flor da Moda aposta numa mudança do modelo operacional, reforçando o negócio de private label, que deverá representar mais de 70% da faturação em 2026.




