A Câmara de Barcelos veio a público desmontar o valor de 59 milhões de euros que alguns órgãos de comunicação social divulgaram como sendo a dívida atual do município.
A autarquia fala em números “falsos”, acusa manipulação política e afirma que a verdadeira situação financeira está longe do cenário descrito.
Segundo o esclarecimento oficial, Barcelos mantém boa saúde financeira, sustentada pelos dados do Relatório e Contas.
O município confirma apenas um empréstimo de 25 milhões de euros, contratado em novembro de 2023 para cumprir o acordo com a empresa Águas de Barcelos (ADB). Deste montante, 18 milhões foram já usados para pagar a indemnização definida entre ambas as partes.
Este empréstimo, sublinha a autarquia, permitiu fechar litigâncias antigas e evitar o pagamento de uma dívida “real e herdada” de 214 milhões de euros, resultante de sentenças judiciais associadas ao anterior executivo socialista.
Os sete milhões restantes continuam por utilizar, reservados para expansão das redes de água e saneamento, investimento que, garante a Câmara, voltou a avançar graças ao acordo com a ADB.
Em fevereiro deste ano, a autarquia aprovou um segundo empréstimo de 25 milhões de euros, com três anos de prazo para utilização, destinado a acelerar obras consideradas estruturantes.
Entre elas estão a Variante Urbana do Novo Hospital, a Variante Urbana nascente, a recuperação da rede viária municipal, o projeto da nova ponte urbana e a construção de duas novas piscinas municipais, além do Centro Operacional de Barcelos. Contudo, a Câmara frisa um ponto central: nenhum cêntimo deste segundo empréstimo foi utilizado.
E se surgirem financiamentos alternativos, o crédito poderá nem sequer ser ativado — logo, não se converterá em dívida.
A autarquia insiste que a dívida real a terceiros é muito inferior aos valores noticiados e que os números constam de forma clara nos relatórios de 2024 e, futuramente, de 2025. A referência pública aos 59 milhões é classificada como “alarmista e irresponsável”.
Barcelos acrescenta que os empréstimos existentes estão firmados com instituições bancárias e são pagos de forma faseada, com reembolso previsto em 20 anos. E aponta indicadores para reforçar a alegada estabilidade financeira: o município tem hoje 23 milhões de euros em disponibilidade imediata e uma capacidade de endividamento que chega aos 95 milhões de euros, caso seja necessário garantir contrapartidas para investimentos estratégicos.




