Antigo dirigente avança para romper com o “pensamento único” e critica duramente Filipe Melo, Carlos Barbosa e Henrique Arantes; racha interna no Minho aprofunda-se
A corrida à liderança da Comissão Política Distrital de Braga do Chega ganhou um novo e contundente protagonista. Paulo Ralha anunciou publicamente a sua candidatura à presidência da estrutura minhota, transformando o ato eleitoral num embate a três facções e abrindo uma nova frente de guerra interna no partido liderado por André Ventura.
Sob o mote da “transparência, união e moralização da política regional”, a lista de Paulo Ralha apresenta-se como uma reação direta da base de militantes contra o que apelida de “profunda crise de credibilidade” na região. Com esta entrada, o sufrágio no segundo maior círculo eleitoral do país deixa de ser uma disputa exclusiva entre o atual presidente, Filipe Melo, e a lista dissidente do também deputado Carlos Barbosa.
Ataques ferozes e rejeição de “falsas alternativas”
No manifesto político de apresentação, enviado às redações, Paulo Ralha demarca-se de forma agressiva de toda a concorrência e acusa os seus opositores de pertencerem à mesma matriz ideológica centralizadora.
“O deputado Carlos Barbosa, o militante Henrique Arantes e o deputado Filipe Melo pertencem e partilham exatamente da mesma escola política: a escola do ‘muro de betão’ e do pensamento único”, dispara a candidatura, classificando as restantes listas como meras “guerras de fações”.
O plano para resgatar os autarcas afastados
A candidatura de Paulo Ralha alega que o modelo de gestão vigente nos últimos anos causou um “lamentável afastamento de quadros valiosos”, nomeadamente vereadores e autarcas locais que se terão desvinculado da estrutura distrital devido a alegadas perseguições e purgas políticas.
Para inverter este ciclo, o programa da lista fixa quatro eixos prioritários:
- Restaurar a idoneidade: Introduzir total transparência na gestão financeira e administrativa da Distrital;
- Reintegração de eleitos: Recuperar e dignificar os vereadores e deputados municipais do Chega no distrito, aproximando-os das instâncias de decisão;
- Liberdade de expressão: Acabar com o “pensamento único” e garantir o direito à divergência interna sem ameaça de processos disciplinares;
- Foco nas autárquicas: Preparar as bases concelhias para os próximos desafios eleitorais através de uma política de proximidade em todos os 14 municípios do Cávado e do Ave.
A entrada de Paulo Ralha na corrida promete inflamar as semanas de campanha interna no Minho, forçando a direção nacional do partido a acompanhar de perto as clivagens e as acusações cruzadas entre os três candidatos à distrital.
Os militantes do distrito de Braga que pretendam consultar os cadernos eleitorais, verificar os prazos de entrega de listas completas ou ler as minutas dos programas políticos de todas as listas concorrentes podem fazê-lo através da área de militante no sítio nacional do Chega.




