O calçado português está a conquistar terreno no mercado global.
Nos primeiros seis meses de 2025, as exportações cresceram 5,4% em quantidade e 3,7% em valor, atingindo 36 milhões de pares vendidos e 843 milhões de euros em receitas, segundo dados da APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado.
Luís Onofre, presidente da associação, admite que 2025 “tem sido um ano desafiante”, mas destaca que Portugal está a ganhar quota de mercado face a gigantes internacionais.
“Exportamos mais de 90% da produção para 170 países, o que nos dá uma performance globalmente positiva”, sublinha.
O setor ainda sente a pressão das grandes economias, mas os sinais são encorajadores
As vendas para os EUA, um mercado considerado estratégico, somaram 40 milhões de euros, apesar de uma quebra de 6,4% face a 2024.
Ainda assim, Onofre vê aqui uma oportunidade única: enquanto países como Brasil, China, Índia e México enfrentam tarifas pesadas, Portugal beneficia de condições mais favoráveis para reforçar a sua presença.
Com mais de 100 milhões de euros de investimento do PRR em áreas como automação, robótica e sustentabilidade, a indústria quer posicionar-se como alternativa ao calçado de produção massificada e ambientalmente insustentável.
A nível internacional, os concorrentes mostram fragilidade
A China, que responde por mais de metade da produção mundial, registou uma queda de 12,5% nas exportações. México e Turquia também recuaram, com descidas de 19,3% e 15,3%, respetivamente. Até Itália e Espanha, rivais diretos, registaram quebras.
Na Europa, a Alemanha consolidou-se como o maior comprador de calçado português, aumentando 13,1% para 217 milhões de euros.




