O novo modelo de inteligência artificial da Anthropic, o Claude Mythos, está a provocar um verdadeiro sobressalto no setor tecnológico e financeiro, ao demonstrar capacidades inéditas na deteção de falhas em sistemas informáticos.
Desenvolvido com foco exclusivo na cibersegurança, o Claude Mythos distingue-se dos modelos tradicionais por analisar grandes volumes de código e identificar vulnerabilidades complexas, incluindo falhas do tipo “zero-day”, que ainda não foram descobertas ou corrigidas. Segundo a própria empresa, o sistema já terá identificado milhares de vulnerabilidades de elevada gravidade, algumas com mais de 20 anos.
O objetivo oficial é reforçar a segurança digital, permitindo que empresas e instituições corrijam rapidamente fragilidades antes de serem exploradas. No entanto, é precisamente essa capacidade que está a gerar preocupação. Especialistas falam num risco claro de “uso duplo”: a mesma tecnologia que protege pode ser usada para atacar.
Outro ponto que levanta dúvidas é o nível de autonomia do sistema. A Anthropic admite que o modelo já supera a maioria dos humanos na deteção de falhas, ficando apenas atrás de especialistas altamente experientes. Este avanço coloca pressão adicional sobre governos e reguladores.
O acesso ao Claude Mythos é, por agora, restrito a cerca de 40 parceiros, incluindo gigantes como Apple, Google, Microsoft, Nvidia e Amazon. A estratégia passa por permitir que estas entidades testem e reforcem sistemas críticos antes de uma eventual democratização da tecnologia.
Ainda assim, os sinais de alarme já chegaram à banca.
Nos Estados Unidos, responsáveis da Reserva Federal e do Tesouro reuniram-se com líderes de grandes bancos para avaliar o impacto desta tecnologia na segurança financeira global.
A própria Anthropic tem mantido contactos com o Governo norte-americano sobre os riscos e potenciais usos ofensivos do modelo. A empresa reconhece que sistemas com estas capacidades poderão tornar-se comuns num curto espaço de tempo, aumentando a urgência de regras claras.




