José Manuel Pureza é o novo líder do Bloco de Esquerda (BE) e promete “reconstrução da esquerda” e combate à extrema direita.
Pureza encerrou a XIV Convenção do Bloco de Esquerda com um recado claro: o partido quer assumir uma esquerda de pontes, capaz de dialogar, convergir e enfrentar a ofensiva da direita com uma agenda centrada em salários, habitação, saúde e direitos sociais. A intervenção marcou a estreia do novo coordenador bloquista e definiu o rumo político para os próximos meses.
No Pavilhão do Casal Vistoso, Pureza começou por agradecer o trabalho da direção cessante e destacou a participação de Mariana Mortágua na flotilha para Gaza, lembrando que essa mobilização “obrigou governos a reconhecer o Estado da Palestina”.
Depois, virou o foco para o país. Apontou “a ofensiva dos oligarcas milionários” e criticou o presidente do BPI por culpar os trabalhadores pela estagnação económica.
Para Pureza, “são os trabalhadores que puxam a carroça da riqueza” e é com eles que o Bloco se identifica.
Internamente, defendeu mudanças: mais participação militante, núcleos ativos e abertura a independentes e até militantes de outros partidos na construção do novo programa político. Fora do partido, pediu o fim do sectarismo e a união da esquerda para enfrentar “a contra-ofensiva dos direitos”.
Pureza apelou ainda à adesão massiva à greve geral de 11 de dezembro, descrevendo o acordo entre governo, PS e Chega sobre orçamento e pacote laboral como “Portugal no pântano”.
A greve, afirmou, deve juntar trabalhadores, jovens precários, imigrantes e mulheres com empregos invisíveis e mal pagos.
No plano programático, prometeu um pacote robusto para a habitação, em colaboração com autarcas e movimentos, e a refundação do SNS, “honrando Arnaut e Semedo”.
Assumiu também o combate ao individualismo, à violência contra as mulheres e à narrativa da extrema-direita junto dos jovens.




