Crise energética já está a mexer com custos, mas o impacto maior pode chegar nas próximas semanas
A subida dos combustíveis voltou a colocar empresas portuguesas em alerta máximo. O impacto ainda não é totalmente visível nos preços finais, mas os sinais são claros: os custos estão a subir e a margem de manobra começa a encolher.
Do lado da indústria, há quem esteja a conseguir travar o impacto — pelo menos temporariamente. Daniel Leal, da Bolder, admite que a pressão existe, mas garante que a empresa antecipou o cenário.
“Evidentemente que a crise afeta toda a gente e, portanto, os produtos poderão encarecer, mas a nossa empresa, pelo menos há seis meses, está preparada para conseguir suportar isso ao cliente.”
O responsável explica que o principal problema vem de fora: transporte de matérias-primas vindas da Ásia e dos Estados Unidos, que inevitavelmente encarece o produto final. Ainda assim, para já, o consumidor não sente esse aumento.
Mas nem todos conseguem segurar o impacto da mesma forma
Na área da construção e logística, o cenário é mais tenso. Manuel Antunes, da Anavigroup, aponta diretamente ao combustível como o principal fator de pressão.
“Neste momento, aquilo que nos preocupa mais é o setor dos combustíveis. Todas as nossas atividades dependem disso.”
Apesar de ainda não haver reflexo direto nos preços finais, o alerta está lançado: abril pode marcar o início de uma escalada.
“Temos indicação de fornecedores de que a partir de abril haverá um aumento gradual, mas significativo, das matérias-primas.”
Perante isso, a resposta foi imediata: reforço de stocks para tentar ganhar tempo.
“Nas últimas semanas aumentámos a recolha de stocks e enchemos armazéns e obras para mitigar estes efeitos.”
Mesmo assim, o aviso é claro: se o conflito internacional se prolongar, os aumentos serão inevitáveis.
“A partir do final de abril e início de maio vamos ter subidas bastante acentuadas.”
Especialistas confirmam o cenário. Tânia Carvalho, da Lima Consulting, diz que o comportamento das empresas segue um padrão previsível.
“As empresas tendem a absorver este aumento numa primeira fase. Depois, tudo depende da duração do conflito.”
A recomendação é direta: prudência.
Planeamento de consumos, controlo de custos energéticos e cautela nos investimentos são agora palavras-chave para atravessar este período de incerteza.
O mercado ainda não colapsou — mas está claramente em modo de contenção. E o pior pode ainda estar por chegar.
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