O mercado imobiliário espanhol continua em escalada. Depois de ter fechado 2025 com uma subida de 9,6% no preço da habitação, as principais entidades financeiras antecipam que, em 2026, o aumento poderá atingir os 10%.
Comprar casa ficará, assim, ainda mais caro, num contexto de procura elevada e oferta claramente insuficiente.
Os números das transações estão em níveis que não se viam desde 2008. Ainda assim, o setor financeiro sublinha que o cenário atual não replica a bolha imobiliária. Nessa altura, a subida dos preços foi alimentada por construção excessiva e especulação. Hoje o problema é diferente: faltam casas. O défice ultrapassa as 700 mil habitações, segundo o Banco de Espanha, incapaz de responder ao crescimento da população e à pressão da procura.
À escassez junta-se a poupança acumulada pelas famílias nos últimos anos. Cerca de 30% das operações já são realizadas sem recurso a crédito bancário, um indicador da capacidade financeira de parte dos compradores e que sustenta a valorização dos imóveis.
Ainda assim, o Colégio de Registadores alerta que o ritmo atual poderá ser difícil de manter a longo prazo.
Entretanto, a banca ajusta a estratégia. O CaixaBank, com cerca de 25% do mercado hipotecário, anunciou menos concessão de crédito e a taxas mais elevadas após o fim do ciclo de descida de juros.
BBVA, Santander e Bankinter também abandonaram a chamada “guerra hipotecária”, evitando empréstimos com rentabilidade inferior à da dívida pública a dez anos.
O Banco Central Europeu questionou igualmente a viabilidade de hipotecas fixas abaixo de 2% por mais de vinte anos, que em 2025 chegaram a situar-se perto de 1,6%. Apesar de a taxa de incumprimento se manter baixa, os bancos privilegiam margens em detrimento da quota de mercado.
Mesmo com crédito mais restrito, as previsões apontam para nova subida.




