A 58.ª edição da AGRO, em Braga, voltou a afirmar-se como palco de cooperação ibérica.
O Dia da Galiza, assinalado este sábado no Forum Braga, serviu para consolidar a ligação entre o Norte de Portugal e a região galega, com foco direto no desenvolvimento económico, agrícola e turístico.
A sessão contou com responsáveis institucionais de ambos os lados da fronteira, incluindo o vice-presidente da Câmara de Braga, Altino Bessa, e representantes da Xunta da Galiza e da Expourense. A mensagem foi transversal: a cooperação transfronteiriça deixou de ser simbólica e passou a ser estratégica.

Um dos pontos centrais foi o papel dos mercados abastecedores na economia atual. José Antonio Armada Pérez, da Xunta, destacou que estas estruturas são fundamentais para ligar produção e consumo, sublinhando o exemplo do MARB, que reúne cerca de 60 empresas e mais de 500 trabalhadores.
“Os mercados abastecedores ajudam a conter a inflação, promovendo cadeias curtas e preços mais competitivos”, afirmou, numa altura em que o setor enfrenta desafios crescentes.
Também a educação alimentar esteve em destaque, com referência ao programa “5 ao Dia”, que há 15 anos incentiva o consumo de frutas e legumes junto das escolas.
Braga e Galiza querem crescer juntas

Do lado galego, Rogelio Martínez González reforçou a importância da parceria com Braga, destacando a presença mútua em feiras como fator de promoção conjunta.
“Faz sentido estarmos presentes uns nos eventos dos outros e valorizar o que cada território tem de melhor”, afirmou, defendendo uma lógica de partilha de boas práticas.
O responsável apontou ainda uma mudança clara no turismo: menos procura por sol e praia e mais interesse por destinos de natureza e interior — uma oportunidade direta para o Norte de Portugal e Galiza.

A vertente enogastronómica também ganhou destaque, com produtos como empanada galega, enchidos e vinhos de Monterrei a reforçarem a identidade comum.
Jovens afastados do campo preocupam setor
Outro dos alertas deixados prende-se com a falta de mão de obra no setor agrícola. Os responsáveis defenderam a necessidade de aproximar os jovens do mundo rural.
“É essencial que as crianças percebam de onde vêm os alimentos”, foi sublinhado durante a sessão.
AGRO mantém forte adesão e aposta em mobilidade

O segundo dia da feira ficou marcado por uma programação intensa, com seminários técnicos, showcookings, atividades pedagógicas e momentos culturais a atrair milhares de visitantes.
Para facilitar o acesso, os Transportes Urbanos de Braga (TUB) disponibilizam linhas especiais a partir do Minho Center e E.Leclerc. Quem utilizar este serviço beneficia de 50% de desconto na entrada.
A AGRO volta assim a mostrar que não é apenas uma feira agrícola: é um ponto de encontro estratégico onde se decide parte do futuro do setor.




