A propósito do Dia Mundial da Fisioterapia, o fisioterapeuta e CEO do Centro Terapêutico Octávio Dimas, da Apúlia, alerta para o impacto da atividade física, da qualidade do sono e da intervenção precoce no combate às doenças cardiovasculares.
Como refere o fisioterapeuta Octávio Dimas, “as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte a nível mundial”, sendo esse o fator determinante para a centralidade do tema. A adoção de estilos de vida ativos, aliada à consciencialização sobre fatores de risco emergentes e à intervenção precoce em reabilitação, assume-se como o pilar fundamental para travar esta realidade. A prática regular de exercício físico demonstra resultados expressivos na prevenção: apenas 30 minutos diários de atividade física podem proporcionar uma redução de até 25% no risco de AVC.
Em declarações prestadas ao E24 no âmbito da efeméride, o CEO do Centro Terapêutico Octávio Dimas, sediado na freguesia da Apúlia, em Esposende, prestou esclarecimentos sobre as estratégias de prevenção, desmistificou o perfil de risco do doente cardiovascular e detalhou a relevância da janela temporal no tratamento pós-AVC.

Literacia em saúde e fatores de risco desvalorizados
De acordo com Octávio Dimas, a prevenção primária inicia-se através da promoção da literacia em saúde junto dos utentes. “A nossa primeira intervenção é sempre a prevenção, que, neste caso, passa pela literacia em saúde”, sublinha o responsável, acrescentando que o objetivo passa por “fornecer-lhes informação e conhecimentos relacionados com a saúde, para que isso tenha algum impacto na sua vida e possa melhorar substancialmente a sua qualidade de vida”.
Triagem e encaminhamento: As clínicas especializadas desempenham um papel ativo na identificação de utentes com maior risco cardiovascular. “Fazemos uma seleção e uma triagem e, a partir daí, encaminhamos essas pessoas. Esse encaminhamento pode ser realizado internamente, por exemplo para um nutricionista ou para a prescrição de exercício físico, ou pode ser feito para serviços externos”, explica o fisioterapeuta.
A Influência da qualidade do sono: O especialista alerta para a relevância do descanso no quotidiano, afirmando perentoriamente que “o sono é fundamental para a prevenção das doenças cardiovasculares”. Condições como a apneia do sono e a roncopatia, historicamente desvalorizadas pela população, estão hoje clinicamente associadas ao aumento do risco de AVC, constituindo “um fator de risco acrescido”.
Universalidade do risco: O AVC pode manifestar-se em qualquer indivíduo, mesmo na ausência de histórico familiar, hipertensão, hábitos tabágicos ou consumo de álcool. “Pode acontecer a qualquer pessoa, mesmo que não exista histórico. Pode acontecer inclusivamente a um doente sem qualquer fator de risco cardiovascular”, adverte Octávio Dimas, clarificando que, embora sejam “exceções à regra, essas exceções existem”.
“Devem adotar um estilo de vida saudável e, sobretudo, mexer-se. Devem mexer-se pela sua saúde, praticar desporto e praticar atividade física.”— Octávio Dimas, Fisioterapeuta e CEO do Centro Terapêutico Octávio Dimas

A “Janela de Oportunidade” na reabilitação pós-AVC
Relativamente aos doentes que já sofreram um acidente vascular cerebral, o sucesso do plano de recuperação está intrinsecamente ligado à rapidez com que os cuidados de saúde são iniciados. “Quando recebemos um doente que sofreu um AVC, a primeira questão que temos de analisar é há quanto tempo ocorreu esse AVC”, nota o clínico, frisando que “o sucesso da reabilitação de um AVC assenta, sobretudo, numa intervenção precoce”.
Importância da intervenção precoce: A taxa de sucesso da reabilitação aumenta significativamente quando as especialidades de Fisioterapia, Terapia da Fala e Terapia Ocupacional começam a atuar logo após o evento vascular. “Quanto mais cedo for iniciada a intervenção (…) maior será a taxa de sucesso”, afiança Octávio Dimas.
Janela crítica de 6 a 8 meses: O período compreendido entre os seis e os oito meses pós-AVC constitui a fase mais determinante para a recuperação de capacidades motoras e para a autonomia nas atividades da vida diária. “A nossa janela de reabilitação situa-se entre os seis e os oito meses. Esta janela (…) é extremamente importante para conseguirmos recuperar o máximo possível daquela pessoa”, salienta.
Evolução em estágios: Quando o acompanhamento é iniciado após este período, Octávio Dimas reforça a necessidade de transparência: “Temos perfeita noção de que é necessário sermos sinceros e honestos. Não é possível obter os mesmos resultados”. Nestes casos, a recuperação processa-se em patamares: “Os ganhos são muito mais pequenos e surgem sempre de forma progressiva, como uma escada. Consegue-se um pequeno ganho, que depois estabiliza… São ganhos mais lentos e mais reduzidos”.

A mensagem que sobressai neste Dia Mundial da Fisioterapia reforça que a proteção da saúde cardiovascular está ao alcance de pequenos gestos diários — do movimento físico regular aos cuidados acrescidos com o descanso. Quer na prevenção primária quer no apoio à recuperação pós-AVC, o compromisso com estilos de vida ativos e o recurso atempado a acompanhamento especializado continuam a ser as ferramentas mais eficazes para garantir maior longevidade e qualidade de vida.
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