A candidatura do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara de Esposende, liderada por Manuel Pereira, denunciou a utilização de meios institucionais de escola pública para a divulgação de um evento de natureza política autárquicas.
Candidato de PS, Tito Evangelista, também denunciou o caso no seu perfil de facebook.
Em causa está a partilha, através de email institucional do diretor do Agrupamento de Escolas António Rodrigues Sampaio (AEARS), de um convite para o lançamento do livro do candidato independente Carlos Silva, que apresenta o seu programa político com vista às próximas eleições autárquicas.
O BE considera esta conduta “inaceitável em tempos de pré-campanha”, sublinhando que o cargo exercido pelo diretor exige especial cuidado e imparcialidade.
O partido recorda ainda que existem relações pessoais e profissionais entre o responsável do AEARS e elementos da lista de Carlos Silva, situação que, no entender dos bloquistas, compromete a necessária isenção das instituições públicas em períodos de disputa partidária.
Para o BE, não restam dúvidas quanto ao objetivo do evento.
“Todos sabemos que este livro não tem finalidade literária, mas sim política e eleitoral. Quem solicitou a difusão do convite – Paula Cepa, número 3 da lista de Carlos Silva e antiga diretor do agrupamento- fê-lo também com esse propósito, e qualquer tentativa de justificar o contrário será apenas uma forma de desrespeitar os esposendenses”, lê-se no comunicado da candidatura.
O BE exige “esclarecimentos por parte do AEARS“, cujo o diretor tem o filho como número 5 na lista independente do autor do livro e candidato à Câmara indepente.
“Nomeadamente sobre o número de convites já difundidos, se foram igualmente divulgados convites de outros candidatos, e qual a frequência de utilização dos meios oficiais para iniciativas deste género”, frisa.
Os bloquistas afirmam não aceitar “manobras que coloquem em causa a neutralidade institucional” e pedem respostas rápidas e claras.
“Estamos aqui para garantir que todos os candidatos têm igualdade de tratamento e que nenhuma estrutura pública é instrumentalizada para fins eleitorais”, conclui o BE.
Com estas declarações, a candidatura bloquista coloca pressão sobre o AEARS e reforça o debate em torno da utilização dos recursos públicos no contexto da campanha autárquica.
PS também denuncia e caso pode chegar Comissão de Educação da Assembleia da República
O E24 sabe que a própria Câmara de Esposende pode vir a solicitar um Conselho Geral Extraordinário do AEARS, assim como Tito Evangelista, candidato do PS nas autárquicas de 12 de outubro, deu nota publicamente sobro o caso nas redes sociais.
Tito Evangelista considera ser “um padrão de favorecimentos ligados ao atual candidato Carlos Silva”.
O socialista candidato refere que lhe chegou um email enviado pelo diretor do AEARS, que, através do correio oficial, promoveu junto dos docentes o lançamento do livro de Carlos Silva.
O candidato socialista sublinha que o diretor é pai do número cinco da lista de Carlos Silva e que o convite partiu da número três, também integrante da candidatura, o que considera “um caso grave” em período pré-eleitoral.
“O padrão é claro”, afirma, acrescentando que, se for eleito, não permitirá o uso de cargos públicos para benefício pessoal.
O caso já terá sido encaminhado para a Comissão Nacional de Eleições, Inspeção Geral da Educação, assim como para a Comissão da Educação da Assembleia da República.




