A indústria portuguesa do calçado prevê que 2025 seja um ano de consolidação nos mercados externos, apesar da instabilidade global.
Segundo a APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos –, o setor já exporta mais de 90% da produção para mais de 170 países.
Só no primeiro semestre de 2025, as vendas externas subiram 3,7% em valor, para 843 milhões de euros, e 5,4% em volume, atingindo 36 milhões de pares.
Na feira internacional MICAM, em Milão, o porta-voz da APICCAPS, Paulo Gonçalves, sublinhou que esta diversificação de mercados é uma vantagem competitiva, mas alertou para a instabilidade conjuntural e os riscos acrescidos da concorrência global.
Recordou ainda que o novo acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos, que introduz tarifas de 15% sobre produtos europeus, poderá beneficiar Portugal.
Enquanto a China enfrentará 30%, a Índia e o Brasil 50% e o México 25%, os exportadores portugueses podem ganhar quota nos EUA.
No entanto, existe o risco de concorrência acrescida noutros mercados estratégicos.
A APICCAPS destacou também a crescente procura por calçado sustentável. O consumidor compra menos, mas escolhe produtos “mais amigos do ambiente”. Ainda assim, a associação sublinha que materiais reciclados não implicam preços mais baixos, exigindo trabalho de sensibilização junto dos clientes.
Quanto a apoios públicos, Paulo Gonçalves apontou atrasos e burocracia na transição de quadros comunitários, mas garantiu que 80% dos incentivos de 2023-2024 já foi pago. O Governo assegurou em Milão que vai acelerar processos para a internacionalização.
Em 2024, as exportações atingiram 2.147 milhões de euros, com 68 milhões de pares enviados para o exterior.




