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Quarta-feira, Agosto 10, 2022
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Esposende pede ao Governo intervenção “urgente e definitiva” na barra

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A Câmara de Esposende decidiu hoje pedir ao Ministério do Ambiente uma intervenção “urgente e definitiva” para resolver o problema do assoreamento da barra do concelho, que classifica como “uma das mais perigosas do país”.

Numa proposta assinada pelo presidente, Benjamim Pereira (PSD) e aprovada por unanimidade, a Câmara sublinha que a barra tem sido, nas últimas décadas, palco de “inúmeras mortes” de pescadores do concelho, vítimas dos golpes do mar, causados pelo assoreamento.

O texto acrescenta que “sucessivos governos se comprometeram a resolver” os problemas, mas nunca o fizeram. Uma inação que “dificulta sobremaneira a atividade dos pescadores, colocando-os numa situação de desespero e potencialmente dramática”. “Não trabalhando, não auferem rendimentos, daí que muitas vezes arrisquem enfrentar o mar, com as consequências trágicas que se conhecem”, refere ainda a proposta.

Por isso, o município de Esposende decidiu solicitar à tutela “o reconhecimento da extrema relevância de se definir uma solução de caráter definitivo, técnica e cientificamente fundamentada, exequível sob o ponto de vista económico e ambiental, e que permita assegurar que os recorrentes problemas em presença, e que têm perdurado ao longo dos tempos, são solucionados”.

A Câmara vai ainda solicitar à Comunidade Intermunicipal do Cávado e ao Conselho Regional do Norte que reconheça o interesse estratégico do rio Cávado para a região, bem como a urgência das intervenções solicitadas.

Para o município, todas as intervenções efetuadas nas últimas décadas no estuário inferior do Cávado, “apesar de essenciais, revestiram-se de um caráter localizado e sem capacidade de mitigar a médio/longo prazo os problemas crónicos da barra e restinga”.

“As intervenções realizadas resultaram quase sempre de processos reativos de recuperação e reforço da restinga, particularmente afetada por temporais mais intensos, como foram os casos dos invernos de 2005 e 2014, tendo originado as intervenções de 2006 e 2015. Estas operações destinaram-se a reforçar o frágil corpo da restinga mais próximo da sua extremidade, o qual constitui a defesa natural da marginal da cidade de Esposende em relação às ações da agitação marítima”, refere.

Lembra ainda que os geocilindros colocados para manutenção da estrutura da restinga acabaram por rebentar, o que acarretou problemas ao nível da segurança e navegação “que não podem ser menosprezados, considerando a deriva de grandes quantidades de materiais” que aquela rutura originou.

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