Uma nova fábrica de componentes para data centers, em fase final de construção em Darque, Viana do Castelo, já está a absorver trabalhadores despedidos da Enercon e a provocar efeitos diretos na economia local — incluindo pressão no setor imobiliário.
A unidade industrial, liderada pela NordicEpod, resulta de uma parceria entre o grupo norueguês CTS e a norte-americana Eaton. O investimento ronda os 50 milhões de euros e deverá criar até 500 postos de trabalho diretos.
Segundo informações avançadas, cerca de 30 ex-trabalhadores da Enercon já foram contratados, numa altura em que a antiga fábrica de geradores em Lanheses encerrou atividade, deixando dezenas de profissionais no desemprego.
Produção arranca com foco internacional
A fábrica deverá entrar em funcionamento em fevereiro de 2026 e vai produzir EPOD (unidades de distribuição elétrica) — estruturas críticas para garantir energia em data centers de grandes empresas tecnológicas.
Entre os clientes potenciais estão gigantes como Amazon, Google, Meta e TikTok, num setor onde falhas de energia são inaceitáveis.
A capacidade prevista aponta para:
- 400 toneladas anuais de produção
- Cerca de 10 toneladas semanais expedidas
- Um volume de negócios estimado em 650 milhões de euros por ano
Cerca de 90% da produção será exportada, com foco na Europa e Médio Oriente.
Localização estratégica e expansão prevista
A escolha de Viana do Castelo não foi aleatória. A fábrica está instalada numa área de 110 mil metros quadrados, com ligação direta ao porto de mar, o que facilita a logística de exportação.
O projeto foi desenhado com margem de crescimento:
- Duas linhas adicionais de produção podem ser ativadas
- Existe possibilidade de expansão para novas unidades, dependendo da procura
Impacto imediato: habitação e economia local
O efeito já se faz sentir fora da fábrica. A chegada de trabalhadores e a expectativa de mais contratações estão a levar construtoras a avançar com novos projetos habitacionais nas imediações.
O presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, sublinha o peso do investimento, classificando-o como um projeto de “grande magnitude” num setor emergente, com capacidade de atrair mais empresas para o concelho.
O autarca destaca ainda que o volume de negócios estimado da fábrica representa mais de metade das exportações atuais do município, reforçando o impacto económico direto.
Substituição industrial em curso
O encerramento da Enercon abriu espaço para uma mudança estrutural no tecido industrial local. A nova fábrica não só absorve parte dessa mão-de-obra, como reposiciona Viana do Castelo num setor com forte crescimento global: infraestruturas para data centers.
A transição está em marcha — e, ao contrário de outros casos industriais, aqui há uma substituição quase imediata de emprego, com potencial de expansão.




