Uma investigação na Noruega expôs um risco até agora ignorado pelo desporto europeu nos relvados sintéticos: a presença de DMBA, uma substância proibida, nos granulados de borracha usados em relvados artificiais.
O alerta surgiu em abril, quando oito jogadoras testadas após um jogo entre Vålerenga e Lillestrøm acusaram positivo para o mesmo composto. Uma atleta do Vålerenga ultrapassou o limite legal, desencadeando suspeitas imediatas de dopagem.
A agência anti-doping norueguesa eliminou rapidamente a hipótese de ingestão voluntária. Não encontrou vestígios da substância em alimentos, suplementos ou líquidos consumidos pelas atletas.
O rastreio avançou então para o relvado. No campo sintético do Lillestrøm, testes laboratoriais detetaram DMBA nos pedaços de borracha feitos a partir de pneus reciclados.
A conclusão foi direta: a contaminação aconteceu através da superfície de jogo. A WADA aceitou a decisão e não avançou com recurso, assumindo que não houve culpa das atletas.
O caso expôs um problema estrutural
A Noruega, condicionada por meses de frio, chuva e neve, depende de relvados artificiais para manter a competitividade das suas equipas.
Existem 1779 campos deste tipo no país, todos obrigados a ser substituídos até 2031, quando a União Europeia proibirá o granulado de borracha para reduzir a poluição por microplásticos.
A questão ultrapassa o ambiente
O código mundial de anti-doping não exige intenção ou culpa para registar uma violação, o que abre espaço a sanções mesmo em situações involuntárias. Harriet Rudd, diretor-executivo do Vålerenga, defende que fatores ambientais têm de ser priorizados. A jogadora envolvida afirmou sentir-se vulnerável perante regras que podem penalizar atletas cuidadosos.
Portugal não está imune ao problema
Relvados artificiais continuam a ser usados em competições masculinas de divisões inferiores e em treinos de várias equipas femininas. Se resíduos semelhantes forem identificados em campos nacionais, casos idênticos poderão surgir.
O debate deixa de ser apenas ambiental: passa a ser uma questão de integridade competitiva.




