O vereador da Câmara de Braga e especialista em sustentabilidade do ambiente construído e cidades sustentáveis, Mário Meireles, reagiu com entusiasmo às medidas anunciadas pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, mas deixou um aviso claro: “é preciso passar à ação”.
Em declarações, o autarca não escondeu o alinhamento total com o discurso do governante. “Ouvi com muita atenção e encheu-me de esperança. É um discurso com o qual não consigo discordar numa única palavra”, afirmou, sublinhando a coragem política demonstrada pelo ministro.
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“Os dados não mentem”
Mário Meireles traça um retrato preocupante da realidade urbana, sobretudo em Braga, onde diz ter vindo a alertar há anos para um problema crescente.
“Há um grave problema de sinistralidade nas áreas urbanas, com números absolutamente inaceitáveis de atropelamentos em passadeiras e acidentes por excesso de velocidade”, afirmou.
O autarca reforça que a situação está identificada e documentada: “Os dados não mentem. Agravam-se de ano para ano e acumulam-se. Não há como fugir a esta realidade”.
Mais fiscalização e consequências
Para o vereador, o caminho passa por um reforço claro da fiscalização e, sobretudo, por consequências efetivas para quem infringe as regras. “Precisamos de um sobressalto social e de uma ação efetiva das autoridades, principalmente nos centros das cidades”, defendeu.
Afasta ainda a ideia de uma “caça à multa”, insistindo que o foco deve ser outro: “Não é perseguir ninguém. É proteger a vida humana. Quando alguém morre, não há segunda oportunidade”.
Impacto social e económico
Mário Meireles vai mais longe e alerta para o impacto das vítimas graves no país. “Há um peso enorme na saúde, na segurança social e na capacidade produtiva. Muitas pessoas deixam de trabalhar completamente. É um ónus real para o país”, disse.
Meta: zero mortes
O autarca defende uma meta ambiciosa, mas possível: zero mortos nas estradas de Braga. “Não é utopia. Temos exemplos próximos que mostram que é possível”, garante.
Ainda assim, deixa um aviso direto ao Governo: “Se não houver ação, tudo isto arrisca-se a ser apenas mais um conjunto de boas intenções”.
Papel das autarquias será decisivo
Mário Meireles sublinha que o sucesso das medidas dependerá da participação ativa dos municípios. Recorda, aliás, propostas em que esteve envolvido, como a criação de incentivos financeiros para autarquias que consigam reduzir a sinistralidade.
“Se as autarquias não participarem, vamos continuar a perder vidas”, alertou.
E termina com um apelo sem rodeios: “Chega de normalizar esta realidade. Não é normal morrer ou ficar gravemente ferido nas nossas cidades. As estradas não podem ser um cemitério”.




