A Confederação Africana de Futebol (CAF) atribuiu o título da Taça das Nações Africanas (CAN) a Marrocos, dois meses após a final, ao punir o Senegal com derrota administrativa por 3-0 devido ao abandono temporário do relvado em protesto.
A decisão surge na sequência dos acontecimentos da final disputada em 18 de fevereiro, em Rabat, onde o Senegal tinha vencido por 1-0 após prolongamento, com um golo de Pape Gueye.
No entanto, já nos descontos do tempo regulamentar, os jogadores senegaleses abandonaram o campo e recolheram aos balneários em protesto contra um penálti assinalado a favor de Marrocos. A equipa regressaria posteriormente ao relvado, permitindo a conclusão do encontro.
Segundo a CAF, esse abandono constitui uma violação grave dos regulamentos da competição, justificando a derrota administrativa por 3-0 e a consequente atribuição do título ao país anfitrião.
O lance que esteve na origem da polémica envolveu Brahim Díaz, que tentou converter a grande penalidade com um gesto técnico arriscado — uma “Panenka” — mas acabou por permitir a defesa fácil do guarda-redes senegalês.
Apesar de o Senegal ter seguido para o prolongamento e marcado o golo decisivo, a decisão disciplinar da CAF invalida o resultado obtido em campo.
Além da derrota administrativa, o selecionador do Senegal, Pape Thiaw, foi suspenso por cinco jogos, sendo considerado responsável pelo comportamento da equipa durante o encontro. As federações de ambos os países foram ainda alvo de sanções financeiras, cujos valores não foram detalhados.
A história dos reis da CAN
A eventual vitória do Senegal teria sido histórica, já que apenas três seleções conseguiram vencer a CAN frente ao país anfitrião em mais de três décadas. Com esta decisão, Marrocos soma mais um título continental, embora envolto em forte polémica.
Casos de decisões administrativas a alterar resultados em finais de grandes competições são raros no futebol internacional, o que aumenta o impacto e a controvérsia desta decisão.
A decisão da CAF poderá ainda gerar reações e eventuais recursos por parte da federação senegalesa, num processo que continua a marcar uma das finais mais polémicas da história recente da competição.




