Infraestrutura de 87 milhões de euros no Luau vai fornecer energia verde a 90 mil pessoas; projeto de génese vimaranense evita a queima de 18 milhões de litros de combustível por ano
O grupo português MCA, com sede em Guimarães, atingiu um marco histórico na transição energética do continente africano. Esta segunda-feira, 4 de maio de 2026, foi inaugurado na vila do Luau, em Angola, o maior parque fotovoltaico de energia renovável off-grid (isolado da rede) de África. O evento contou com a presença do Presidente da República de Angola, João Lourenço, e assinala um avanço estratégico no Corredor do Lobito, junto à fronteira com a República Democrática do Congo.
Com um investimento superior a 87 milhões de euros, o Parque Fotovoltaico do Luau supera o recorde anterior (também da MCA, no Cazombo) ao apresentar uma capacidade de produção de 31,85 MWp e um banco de baterias capaz de armazenar 75,26 MWh. Esta tecnologia permite que a vila e as comunidades circundantes tenham eletricidade 24 horas por dia, dispensando totalmente o consumo de combustíveis fósseis e evitando a emissão anual de 47 toneladas de CO2.

Impacto Social e Económico
Para Manuel Couto Alves, Chairman da MCA, este projeto representa “um compromisso com comunidades que, durante décadas, viveram à margem do acesso à energia”. Os números da infraestrutura são impressionantes:
- Capacidade: Abastecimento direto de mais de 90 mil pessoas.
- Infraestrutura: Instalação de 54.912 painéis solares.
- Poupança: Redução anual de cerca de 18 milhões de litros de combustível.
- Emprego: Geração de mais de 200 postos de trabalho locais durante a construção.
Financiamento Internacional e Estratégia Global
O projeto insere-se no ambicioso plano de eletrificação rural de 60 comunas em Angola e foi reconhecido na estratégia Global Gateway da União Europeia. O financiamento foi estruturado pelo Standard Chartered Bank, com garantias da agência alemã Euler Hermes e resseguro das agências de Portugal (Cosec) e Coreia do Sul.
A MCA, fundada em Guimarães em 1998, consolida assim a sua posição como um dos principais players mundiais na engenharia de energias renováveis em mercados emergentes, prevendo-se que este plano de expansão continue a levar luz a mais de um milhão de pessoas até 2027 através de 46 miniredes autónomas.




