A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, apresentou esta terça-feira a demissão ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, alegando já não reunir as condições pessoais e políticas necessárias para continuar no cargo.
A saída surge após vários dias de forte contestação pública e política à atuação do Governo na resposta ao chamado “comboio de tempestades” que atingiu Portugal.
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Numa nota publicada no site da Presidência da República, é confirmado que o chefe de Estado aceitou o pedido de demissão.
O comunicado esclarece ainda que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, assumirá transitoriamente as competências da Administração Interna, conforme previsto na Lei Orgânica do Governo.
A pressão sobre Maria Lúcia Amaral intensificou-se depois da passagem da depressão Kristin, responsável por cheias, derrocadas, cortes de energia e milhares de pessoas afetadas em várias regiões do país. A ministra foi criticada pela resposta tardia, pela ausência no terreno nos primeiros dias e por uma comunicação considerada desajustada ao contexto de crise.
A governante só falou publicamente quase três dias após os primeiros impactos, justificando a sua atuação com trabalho desenvolvido “em contexto de invisibilidade”, no gabinete. Declarações que foram mal recebidas e interpretadas como um desalinhamento com a gravidade da situação, agravando o desgaste político.
PS fala em falhanço do Governo
Uma das primeiras reações veio do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que considerou a demissão “a prova de que o Governo falhou” na resposta à emergência. O líder socialista afirmou que irá confrontar o primeiro-ministro no debate quinzenal no Parlamento, sublinhando que a responsabilidade máxima da Proteção Civil é do chefe do Governo.
José Luís Carneiro lembrou que, quase duas semanas depois, continuam milhares de pessoas sem eletricidade, água ou habitação, defendendo que a resposta do Estado foi insuficiente e descoordenada. “O primeiro-ministro não pode alienar as suas responsabilidades”, afirmou.
Gouveia e Melo defende saída “a bem do país”
A demissão surge na sequência de um artigo publicado no jornal Público pelo almirante Henrique Gouveia e Melo, onde defendia que o Estado falhou e que a ministra devia abandonar funções. Em entrevista televisiva, Gouveia e Melo afirmou que a decisão “protege o Governo e beneficia a população”, afastando qualquer cenário de envolvimento governativo pessoal.
Também a Iniciativa Liberal reagiu, com a líder Mariana Leitão a recordar que o partido pediu a exoneração da ministra dias antes, acusando o Governo de desnorte e falta de capacidade de resposta. “Foram dias perdidos numa crise que exigia ação imediata”, escreveu.
A saída de Maria Lúcia Amaral abre agora uma nova frente política para o Governo, num contexto de instabilidade meteorológica prolongada e crescente exigência pública quanto à capacidade de resposta do Estado.




