No Porto, um grupo de moradores lançou oficialmente a Associação Porto Atlântico no dia 31 de julho de 2025.
O objetivo? “Falar a uma só voz” e legitimar a contestação ao ambicioso projeto urbanístico que prevê a construção de uma nova avenida e três torres de até 25 pisos na zona das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.
Arquitetos “alinhados” com “torres” da Nun’ Álvares no Porto mas há contestação
A iniciativa nasceu informalmente quando centenas de portuenses aderiram a um grupo de WhatsApp criado por Miguel Aroso, residente da zona e ex-deputado na Assembleia de Freguesias eleito pelo PSD, onde se intensificaram os debates sobre o impacto da obra.
“A discussão no grupo escalou rápido e outras questões foram-se levantando à medida que fomos estudando o processo”, refere .
Consulta pública e projeto urbanístico
Durante julho, decorreu uma consulta pública sobre o Estudo de Impacte Ambiental, que recebeu 1.306 participações. O plano contempla um loteamento abrangendo 26 hectares, destinado não só à nova avenida — que ligará a Praça do Império à Avenida da Boavista — mas também à urbanização da envolvência, com edifícios (incluindo três torres), áreas verdes e praças .
Objetivos estatutários da Associação
Segundo o documento de constituição, a Associação Porto Atlântico pretende defender:
- As freguesias de Foz do Douro e Nevogilde, a sua identidade, o urbanismo e os interesses dos moradores e proprietários.
- A qualidade de vida, património, ambiente, cultura, saúde, habitação e mobilidade urbana.
- Os cidadãos prejudicados por obras públicas ou privadas, sobretudo no território que se estende entre a Praça do Império, a Avenida da Boavista e o Parque da Cidade .
Crescimento e propósito
Na passada quarta-feira à noite, a associação já contava com 131 sócios. O seu propósito é fomentar o debate público e “ajudar a repensar” o loteamento em causa.
Críticas ao projeto atual
Miguel Aroso questiona importantes alterações no projeto: a avenida, originalmente planeada com 35 metros de largura, terá agora apenas 23 metros, o que prejudicaria soluções de mobilidade — como o metro à superfície, que foi descartado — e agravaria a fluidez do trânsito numa zona já congestionada.
Ao mesmo tempo, alerta sobre a capacidade dos serviços públicos locais: abaixo estão previstos cinco mil novos veículos, novos moradores, trabalhadores e clientes dos futuros empreendimentos.
“Mas e a saúde? E a educação?“, questiona.
Aroso lamentou ainda que o loteamento tenha sido “debatido no final de mandato da atual Câmara“, com fraca oposição política.
“É muito feio que se insinue que são os moradores da Foz que não querem mexer no quintal deles… Isto não é a Foz contra os outros” — reiterou — “é um grupo preocupado com uma obra estrutural para a cidade”, vaticina .




