Um recente relatório intitulado “Norte Estrutura” revela que o mercado de trabalho na Região Norte de Portugal experimentou uma “recuperação sólida” ao longo dos últimos 13 anos, impulsionada pelo crescimento do emprego, pela formação e pelo aumento da participação feminina.
No entanto, os salários na região permanecem abaixo da média nacional.
De acordo com a análise, entre 2011 e 2024, o Norte foi a região que mais gerou empregos, com 230 mil novas vagas, superando a Grande Lisboa (180 mil) e a Península de Setúbal (70 mil).
Em 2024, a região empregava 1,77 milhões de pessoas, o que representa um crescimento acumulado de 14,9% em relação a 2011.
O relatório destaca que o número de trabalhadores com Ensino Superior aumentou 107,3%, passando de 275 mil para 571 mil, enquanto o número de empregados com escolaridade até ao 3.º Ciclo do Ensino Básico diminuiu 32,7%.
Apesar do aumento no número de empregos, os salários médios líquidos dos trabalhadores por conta de outrem subiram apenas 14,9% durante o período, passando de 751 para 1.081 euros.
Essa evolução, embora positiva, não resultou em uma convergência com as regiões de salários mais altos, mantendo o Norte entre as áreas com os salários mais baixos do país.
António Cunha, presidente da CCDR-Norte, aponta para uma “terciarização” do emprego, com um aumento nas áreas mais intensivas em conhecimento, como saúde e tecnologia, e uma diminuição significativa no emprego agrícola, atribuído à mecanização.
O relatório ainda revela que, apesar do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, com a proporção de mulheres empregadas subindo de 46,2% para 48,6%, a disparidade salarial persiste.
Enquanto os homens passaram a ganhar, em média, 1.172 euros, as mulheres recebem 995 euros, uma diferença de 177 euros, inferior à média nacional.




