Com este novo pacote laboral ninguém vai cá ficar.
Por mais expressões inglesas que usem, os defensores desta revisão do Pacote Laboral não consegue contradizer algo que todos nós sabemos: só a segurança no trabalho é que permite projetos a longo prazo.
Estes defensores, que não mandam um CV ou vão a uma entrevista de emprego há anos, fala-nos de um mundo de fantasia que existe em algumas bolhas da sociedade portuguesa, de um suposto novo mundo que surgirá com o aumento da “flexibilidade“, da “mudança“, no mundo laboral, ou melhor dizendo, com a diminuição dos direitos do trabalhador perante a sua entidade patronal.
Estes defensores querem fazer acreditar aos portugueses que estes conseguirão fazer face aos seus compromissos financeiros quando estiverem no desemprego, entre trabalhos, neste período de “mudança” e todos nós sabemos que isso é mentira.
A esmagadora maioria dos portugueses não são administradores de empresas, não auferem centenas de milhares de euros só em prémios de produtividade, não vivem anos nos escalões de topo da Tabela de IRS, logo, não conseguirão fazer face a meses de ausência de salário enquanto esperam que a flexibilidade se faça sentir, ou sejamos ainda mais práticos e concretos nesta análise, conseguem imaginar as mulheres da limpeza, ou os trabalhadores fabris indifeirenciados, a ter uma progressão profissional devido ao aumento da “flexibilidade”?
“Sabemos que não”
Coloquemos em perspectiva, num país onde 2,5 milhões de pessoas ganham pouco mais do que o Salário Mínimo Nacional e que através do seu trabalho de 40 horas semanais não consegue nem pagar um T1 não vive uma vida que se dê ao luxo de ter imprevisibilidade, de ter períodos de dúvida, de chegar ao seu trabalho às 5 da manhã e descobrir que o pouco que lhe resta no final do mês vai desaparecer porque foi mudada de categoria.
Estes defensores parece que procuram passar um atestado de ignorância aos trabalhadores ao querer impingir a ideia que se um trabalhador não troca o seu atual emprego por um outro emprego melhor só por comodismo, ou a ideia de que não existe uma relação desproporcional entre trabalhador e empregador.
Porque sejamos claros, o salário é uma retribuição por um trabalho feito, mas não compensa de forma direta o investimento que cada um de nós faz numa área da atividade ou numa profissão em detrimento de outras e a segurança no trabalho é a retribuição que o empregador pode dar por essa dedicação.
É isto que vai aumentar a competitividade e a vontade dos portugueses cá ficarem e a investir o seu tempo e esforço em Portugal? Claro que não. A segurança no trabalho é um dos motivos que nos tornou tão apetecíveis para tantos estrangeiros quererem cá fazer de Portugal a sua nova casa e não só emigrantes, basta olhar para os nossos imigrantes.
Se há 30 anos o sonho de um português seria uma emigração para os EUA, hoje os jovens querem a Dinamarca, a Noruega, a Holanda rejeitando quase por completo os EUA, e porquê? Porque sabem que na Europa do Norte têm mais segurança no seu trabalho pelo mesmo número de horas dispendidas e isso é uma escolha lógica.
Ninguém investe tudo no incerto, ninguém investe o que lhe é mais importante, o seu tempo e projetos futuros, numa roleta-russa.
O mesmo se irá passar com quem nos procura, ou que já cá está, e hoje é vital para uma boa parte da nossa economia e da nossa indústria continuar a funcionar: se as condições de segurança no trabalho se detrioram porque é que investirão o seu tempo cá?




