Lisboa foi palco de um debate entre as juventudes partidárias sobre as prioridades da geração mais jovem para o Orçamento do Estado de 2026 e o E24 esteve lá.
O encontro, promovido pela Merck Portugal e pelo Conselho Nacional da Juventude (CNJ), presidida por André Cardoso, no âmbito do projeto europeu Future, juntou representantes das oito estruturas juvenis com assento parlamentar, que apresentaram propostas nas áreas da educação, saúde, emprego e habitação.
Educação e habitação dominam o debate
A educação abriu o encontro, com destaque para o impacto do investimento público e a crise da habitação estudantil. João Pedro Louro (JSD) defendeu o reforço da rede pré-escolar e parcerias com o setor privado e social. Sofia Pereira (JS) criticou a persistência das propinas e a falta de alojamento digno, exigindo o cumprimento da lei que prevê apoio para a classe média.
À esquerda, Bloco de Esquerda, Livre e Juventude Comunista Portuguesa defenderam a abolição das propinas e mais investimento na escola pública. O PSD respondeu que o problema central “não é a propina, mas a falta de camas disponíveis”, apontando para o Plano Nacional de Alojamento no Ensino Superior.
André Tenente (Livre) contestou os números, afirmando que o investimento no plano “desceu de 202 para 150 milhões de euros”.

Saúde: gestão, investimento e desigualdade
O tema da saúde expôs as divisões ideológicas. A JSD considerou que a crise do Serviço Nacional de Saúde resulta da má gestão e defendeu maior autonomia das unidades de saúde. A JS responsabilizou o Governo pela instabilidade na direção do SNS e pela fuga de profissionais, pedindo valorização salarial e melhores condições de trabalho.
O Chega e a Iniciativa Liberal propuseram maior integração entre setores público e privado, permitindo ao cidadão escolher onde é tratado. O JCP acusou a direita de querer “transformar a saúde num negócio”, enquanto o Livre denunciou que “a liberdade de escolha é apenas para quem tem dinheiro”.
Catarina Marinho (Juventude Popular) sublinhou a urgência de apoio à maternidade, e Iara Sobral (Bloco) destacou a necessidade de investimento em saúde mental e psicólogos nas escolas.
Emprego e estabilidade: travar a emigração
O emprego juvenil foi o último tema. Todas as juventudes reconheceram a precariedade e a dificuldade de fixar jovens no país. Sofia Pereira (JS) criticou o fim da cumulatividade entre o IRS Jovem e a devolução de propinas, enquanto João Pedro Louro (JSD) defendeu a aposta na inovação e tecnologia para criar empregos qualificados.
Chega e Iniciativa Liberal pediram maior liberdade contratual e fiscal, enquanto Bloco, Livre e JCP insistiram na valorização salarial e em políticas públicas que combatam a emigração jovem.
Juventude quer voz no Orçamento do Estado
O presidente do CNJ, André Cardoso, encerrou o encontro pedindo que o Orçamento do Estado para 2026 reflita “as prioridades de uma geração que sente as desigualdades e a precariedade”.
Pedro Moura, diretor-geral da Merck Portugal, reforçou que “Portugal precisa de ouvir os jovens e agir com base nas suas aspirações, porque o futuro da Europa depende das decisões que tomarmos hoje”.



