A polémica instalou-se no executivo municipal de Braga. Vereadores da oposição acusam a Câmara de “censura” política, alegando que a maioria das propostas apresentadas não chega sequer a ser discutida em reunião.
O presidente, João Rodrigues, rejeita as críticas e responde com um argumento direto: muitas das propostas são “ilegais do ponto de vista formal”.
O conflito ganhou força esta segunda-feira, após nova reunião do executivo. A oposição denuncia um padrão repetido — propostas que ficam fora da ordem de trabalhos, sem discussão nem votação.
O movimento Amar e Servir Braga é um dos mais críticos. O seu líder, Ricardo Silva, afirma que o grupo submeteu cerca de 16 propostas e apenas uma foi debatida. “Estamos a ser censurados na nossa participação política”, acusa, classificando a situação como um “veto inadmissível”.
Do outro lado, o presidente da autarquia não cede. João Rodrigues lembra que a definição da ordem de trabalhos é competência do presidente e insiste que várias propostas não cumprem os requisitos legais. Segundo explica, algumas implicariam ingerência em serviços municipais ou decisões sobre infraestruturas que não são da responsabilidade da Câmara.
“Se votássemos propostas dessas, estaríamos a aprovar ilegalidades”, afirmou.
Também a Iniciativa Liberal entrou no confronto. O vereador Rui Rocha viu rejeitada uma proposta para que as reuniões do executivo passassem a ser semanais, com o objetivo de acelerar processos urbanísticos. A iniciativa nem sequer foi incluída na agenda.
Rui Rocha considera que esta decisão desmonta a narrativa de que os atrasos nos processos urbanísticos são responsabilidade da oposição. Já o presidente devolve a crítica, sugerindo que a IL tenta agora corrigir um erro anterior — o chumbo da delegação de competências.
O caso já chegou aos tribunais. O movimento Amar e Servir Braga avançou com uma “intimação para comportamento”, que neste momento aguarda decisão do tribunal.
A crise política em Braga está longe de terminar e expõe uma fratura clara no funcionamento do executivo, com acusações graves de um lado e defesa legalista do outro.




