Se um viajante espacial aterrar na Praia Fluvial do Taboão em agosto, vai achar que descobriu um planeta alternativo: É verão é o festival de música Paredes de Coura.

Aqui, as árvores viram cabides para toalhas, os unicórnios são insufláveis e a água do rio é a poção mágica contra o calor e as ressacas.

Logo à entrada, encontrámos o Zeca “Unicórnio”, 32 anos, que amarrou o seu insuflável cor-de-rosa a uma árvore “para não se perder”.

“Aqui ninguém julga. No máximo pedem boleia para atravessar o rio”, diz ele, com glitter no rosto e um copo fresco na mão.

No campismo, a Marte, 19 anos, estudante de cinema, ensina a avó Laurinda, 61, a fazer TikToks com filtros psicadélicos.

“Isto é a verdadeira ponte entre gerações”, ri-se Laurinda, enquanto ao fundo já se ouve o som-check dos Vampire Weekend.

À noite, as ruas encheram-se de gente com coroas de flores, capas de purpurinas e uma fome capaz de esgotar a roulote das bifanas. Aqui, ninguém corre. O relógio é inútil — a música é quem manda.

Quando o último acorde ecoa sobre o vale, fica claro: Paredes de Coura não é só um festival.

É um mundo temporário, onde a gravidade puxa para o convívio, para o rio e para aquela energia que só existe aqui.






