A Polícia Judiciária concluiu a investigação a uma fraude superior a 41 milhões de euros, que teve ramificações em vários concelhos do Norte, incluindo Esposende, onde foram realizadas buscas no âmbito da operação.
O processo, agora remetido ao Ministério Público, levou ao desmantelamento de uma organização criminosa transnacional altamente estruturada, dedicada a crimes de associação criminosa, branqueamento de capitais, fraude fiscal e falsificação de documentos.
Esposende no mapa da operação
Apesar de o epicentro da rede estar localizado em Vila do Conde, a investigação estendeu-se a outros concelhos, com Esposende a integrar o conjunto de municípios alvo de diligências policiais.
No total, a PJ realizou 25 buscas domiciliárias e não domiciliárias, abrangendo ainda a Póvoa de Varzim e Vila Nova de Gaia, numa operação que expôs a dimensão e complexidade do esquema.
Rede sofisticada e internacional
Segundo a PJ, o grupo operava com base num sistema sofisticado de lavagem de dinheiro através do comércio internacional (TBML), utilizando empresas fictícias e contas bancárias abertas com identidades falsas.
O esquema passava pela criação sucessiva de sociedades que serviam para movimentar dinheiro de origem ilícita, disfarçando as operações como transações comerciais legítimas.
“Os montantes eram depositados continuamente e depois transferidos para contas em países terceiros”, detalha a investigação.
Só no período mais recente analisado, foram identificados mais de 41 milhões de euros em depósitos em numerário, valor que poderá ser apenas uma parte do total movimentado pela rede.
Detenções e milhões apreendidos
A operação já tinha levado, em 2025, à detenção de quatro suspeitos e à constituição de 19 arguidos, entre pessoas singulares e coletivas.
Atualmente, três dos envolvidos permanecem em prisão preventiva, enquanto outro está sujeito a medidas de coação, incluindo apresentações periódicas.
Durante as buscas, a PJ apreendeu cerca de 1,6 milhões de euros em dinheiro, além de quatro viaturas de gama alta, 25 contas bancárias, documentação financeira e material informático.
Parte significativa dos valores foi localizada na zona industrial da Varziela, em Vila do Conde.
Estrutura organizada e divisão de tarefas
A investigação revelou uma organização com cadeia de comando definida e divisão rigorosa de funções, desde a recolha de dinheiro até à gestão documental e controlo de “testas de ferro”.
A PJ destaca a relevância do caso, sublinhando o impacto no combate ao crime económico-financeiro em Portugal, numa operação que expôs um esquema com forte capacidade de adaptação e alcance internacional — e que passou também por Esposende.




