De 6 a 10 de outubro, a Mata Nacional de Albergaria, no coração da Serra do Gerês, será palco de uma ação pioneira de restauro ecológico, no âmbito do projeto LIFE WILD WOLF, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

A intervenção decorre numa área piloto de dois hectares e tem como objetivo a remoção de árvores exóticas da espécie Chamaecyparis, cuja presença ameaça carvalhos centenários e bosques ribeirinhos.
O foco está em restaurar o equilíbrio ecológico, preservando espécies autóctones de elevado valor, como teixos e azevinhos.
Ao contrário das práticas convencionais, o projeto aposta em métodos de baixo impacto ambiental: utilização de tração animal para retirar árvores cortadas, arranque manual de plântulas invasoras e ações acompanhadas pelo Corpo Nacional de Agentes Florestais (CNAF) e pela Associação Portuguesa de Tração Animal (APTRAN). Estas técnicas reduzem o risco de erosão, protegem o solo e permitem a regeneração natural da floresta.

A Mata da Albergaria, com mais de 1500 hectares, é considerada uma das florestas autóctones mais bem preservadas da Península Ibérica. Situada no Parque Nacional da Peneda-Gerês, integra desde 1988 a lista de Reservas Biogenéticas do Continente Europeu, reconhecimento do seu valor ecológico excecional.
No âmbito do projeto LIFE WILD WOLF, já foram mapeadas todas as áreas invadidas por Chamaecyparis, com o objetivo de uma remoção faseada e acompanhada de reflorestação com espécies nativas. Esta estratégia de médio prazo visa melhorar as condições ecológicas da mata, reforçar os habitats do lobo-ibérico e aumentar a disponibilidade de presas naturais, como o corço e o veado.
Com esta iniciativa, o Gerês reforça o seu papel como símbolo da biodiversidade portuguesa e exemplo europeu de gestão florestal sustentável.

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