Seleção Nacional vence Geórgia por 19-17 e repete feito histórico de 2004; Vincent Pinto assinou o ensaio decisivo aos 73 minutos.
A Seleção Nacional de Râguebi imortalizou-se este domingo, 15 de março de 2026, ao conquistar o seu segundo título no Rugby Europe Championship. Numa final de enorme carga dramática disputada no Estádio de Madrid, a formação lusa derrotou a congénere da Geórgia, interrompendo um jejum de vitórias frente aos caucasianos que perdurava desde 2005. Vinte e dois anos após a primeira glória continental, Portugal ascende novamente ao topo do râguebi europeu fora do Torneio das Seis Nações.
O encontro foi pautado por uma intensidade física extrema, com a Geórgia a impor o seu característico poderio ofensivo e domínio nas fases de contacto desde o apito inicial. A formação georgiana, que detém 17 títulos em 24 edições da prova, chegou ao intervalo com uma vantagem de 12-3. Contudo, a crença nacional manteve-se inabalável, sustentada pela eficácia de Manuel Vareiro, que converteu quatro penalidades fundamentais (aos minutos 37, 49, 61 e 71), mantendo a equipa na discussão do resultado.
O capitão da seleção, José Madeira, enfatizou a gestão emocional necessária para operar a reviravolta:
“Foi uma gestão de emoções muito grande durante todo o jogo. Sabíamos que ia ser uma batalha física muito dura, mas nunca deixámos de acreditar que era possível dar a volta ao resultado. [Os adeptos] deram-nos um apoio imenso. Foram fantásticos. Esta vitória também é deles e de todos os que nos ficaram a apoiar em Portugal.”
O momento de rutura na final surgiu ao minuto 73. Após uma sucessão de fases ofensivas que testaram a organização da defesa adversária, Vincent Pinto logrou encontrar o espaço necessário para mergulhar para o ensaio que mudou o rumo da história. A subsequente conversão de Manuel Vareiro colocou Portugal na liderança (19-17) pela primeira vez no encontro, vantagem que os “Lobos” seguraram com uma defesa disciplinada e heróica até ao apito final.
Carlos Amado da Silva, presidente da Federação Portuguesa de Rugby (FPR), destacou o espírito de sacrifício do grupo:
“Foi sofrer do princípio ao fim. Sabíamos que ia ser um jogo muito difícil, porque a Geórgia é uma equipa muito poderosa, mas nunca deixámos de acreditar. Ao intervalo estava convencido de que podíamos dar a volta. A mensagem nestes momentos é sempre a mesma: nunca desistir.”
Esta conquista não representa apenas um troféu, mas um catalisador estratégico para o crescimento da modalidade no país. Amado da Silva acredita que este título europeu será o motor para atrair novos praticantes e elevar o patamar do râguebi nacional.
“A seleção nacional é a locomotiva do râguebi. Quando a equipa ganha, toda a modalidade cresce. Estamos a investir muito na formação e acreditamos que, com resultados como este, podemos crescer para dez mil ou quinze mil praticantes nos próximos anos”, afirmou o dirigente.




