A seca dos últimos meses deixou a castanha portuguesa com calibre mais reduzido, mas produtores e especialistas mantêm expectativas de uma campanha positiva em 2025, com aumento da produção nacional face a 2024.

As associações do setor apontam para uma colheita com melhor qualidade sanitária — menos bicho e menos podridão — apesar do fruto ser, em média, mais pequeno.
José Laranjo, investigador da Universidade de Trás‑os‑Montes e responsável pela RefCast, estima que a produção nacional deverá situar‑se entre 35 a 40 mil toneladas, cerca de 20% acima das cerca de 27 mil toneladas apuradas em 2024.
O investigador associa o menor calibre principalmente às condições climatéricas: calor e seca prolongada e a falta de chuva em meses decisivos para o desenvolvimento dos frutos.
Nas zonas tradicionais da Terra Fria Transmontana — Bragança e Vinhais —, que contribuem com cerca de metade da produção, os operadores esperam um ano melhor do que 2017 ou 2022, embora os resultados finais dependam das próximas semanas. Abel Pereira, presidente da ARBOREA, admite que é ainda cedo para previsões definitivas, mas refere que, se a produção em Vinhais ficar abaixo das 12 a 15 mil toneladas, haverá preocupação.
Algumas regiões já iniciaram a colheita, com diversidade de castanheiros e práticas de mercado diferentes. A serra da Estrela, responsável por cerca de 10% da produção, enfrenta problemas de polinização e áreas afetadas por incêndios, o que condiciona rendimentos.
O baixo calibre pode dificultar a valorização paga aos agricultores, apesar de a castanha vendida em fresco chegar aos consumidores entre cinco a seis euros por quilo nos supermercados.
Ao mesmo tempo, a produção nacional tem vindo a diminuir na última década, apesar do aumento da área plantada.
O setor pede acompanhamento técnico e medidas de apoio para mitigar os efeitos das alterações climáticas e assegurar a sustentabilidade dos soutos.





