A economia do mar foi colocada no centro do debate em Viana do Castelo, com autarcas e empresas do setor a exigir ao Governo decisões rápidas e uma estratégia clara para transformar o potencial marítimo do país em valor económico.
A mensagem foi deixada na conferência “A economia do mar – Do vento às ondas de inovação”, integrada nas comemorações dos 50 anos do poder local.
O presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, anfitrião do encontro, alertou para o risco de Portugal desperdiçar uma oportunidade estratégica por falta de decisões políticas e excesso de burocracia. Para o autarca, a economia azul deve ser tratada como um “desígnio nacional”, mas continua marcada por dúvidas e indefinições.
“Não consigo compreender muitas incertezas relativamente à oportunidade que a economia azul nos traz. Precisamos de decidir e avançar”, afirmou, defendendo a realização rápida dos primeiros leilões para exploração de energia no mar, nomeadamente nas áreas da eólica offshore e da energia das ondas.
Luís Nobre destacou ainda projetos já instalados em Viana do Castelo, como o parque eólico offshore da Ocean Winds e as iniciativas da CorPower Ocean, sublinhando que o concelho pretende reforçar a aposta no setor com a criação do Centro de Tecnologia e Inovação Sustemare. Segundo garantiu, o projeto vai avançar mesmo sem financiamento externo.
Também os empresários presentes reforçaram a necessidade de acelerar decisões. José Pinheiro, country manager da Ocean Winds para a Península Ibérica, considerou “inevitável” o desenvolvimento da energia eólica offshore, defendendo que a diversificação energética é crucial num contexto internacional marcado pela instabilidade dos combustíveis fósseis.
Na mesma linha, Manuel Costeira da Rocha, responsável da CorPower Ocean para a região ibérica, apontou fragilidades estruturais. “Portugal não tem cadeia de valor”, criticou, referindo os obstáculos enfrentados por projetos inovadores no setor das ondas.
Entre eles está o Vianawave, investimento de cerca de 120 milhões de euros, que prevê a instalação de 45 dispositivos de produção energética ao largo da Aguçadoura.




