A CaetanoBus vai avançar com um novo despedimento coletivo na unidade de Gaia, atingindo 88 trabalhadores, num processo que volta a expor fragilidades na indústria e levanta críticas políticas e sindicais.
A decisão foi comunicada internamente e surge pouco mais de um ano depois de um processo semelhante. Em março de 2025, a empresa já tinha dispensado mais de 40 trabalhadores. Agora, repete o cenário.
A administração justifica a medida com a quebra de encomendas e o cancelamento de um contrato relevante, o que terá provocado uma redução significativa da produção e impacto direto no volume de negócios. Segundo a empresa, o objetivo passa por ajustar a estrutura à realidade atual e garantir sustentabilidade a longo prazo.
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A CaetanoBus admite que o plano inclui a reorganização de linhas de produção e funções associadas, defendendo que o processo só avança após esgotadas alternativas internas.
Do outro lado, a reação é dura. O Sindicato das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (SITE-Norte) e o PCP criticam a decisão e lembram que a empresa beneficia de apoios públicos e fundos europeus, questionando a legitimidade de novos despedimentos.
Os representantes dos trabalhadores acusam o grupo de recorrer a mecanismos como despedimentos coletivos e lay-off sempre que enfrenta dificuldades, apontando para um padrão que consideram recorrente.
Há também preocupação com o impacto social
Quase uma centena de postos de trabalho em risco numa só unidade industrial representa um golpe significativo numa região onde a indústria automóvel tem peso relevante.
Apesar da contestação, a empresa garante estar a procurar soluções para minimizar o impacto, incluindo contactos com outras empresas do grupo e entidades externas, numa tentativa de facilitar a reintegração de trabalhadores no mercado.
O caso já chegou ao plano político. O PCP questionou o Governo sobre o processo e pede esclarecimentos sobre o acompanhamento da situação, sublinhando a necessidade de proteger o emprego e fiscalizar o uso de dinheiros públicos.
A repetição de despedimentos em curto espaço de tempo levanta dúvidas sobre a estabilidade da operação em Gaia. Para já, o cenário é claro: menos trabalhadores, produção ajustada e um setor sob pressão crescente.



