O festival literário Utopia terminou este domingo, em Braga, com uma reflexão centrada na Europa e nos desafios que o continente enfrenta num momento de incerteza geopolítica.
A historiadora alemã Katja Hoyer e o antigo ministro português da Educação Tiago Brandão Rodrigues protagonizaram uma conversa marcada por preocupações quanto ao futuro da integração europeia e ao crescente distanciamento entre instituições e cidadãos.

Ao longo da sessão, moderada num ambiente informal e participativo, o debate percorreu várias geografias europeias — da Ucrânia ao Reino Unido, passando por Alemanha e Portugal — para identificar tensões comuns e sintomas de desgaste democrático.
Um dos pontos mais sublinhados por Tiago Brandão Rodrigues foi a relação cada vez mais frágil entre os jovens e a política. O ex-governante lamentou que “as novas gerações não sintam que a Europa lhes responde”, sublinhando que o desinteresse atual abre espaço a narrativas extremistas e simplificadas.
Katja Hoyer, autora de Para lá do muro, recuperou a herança dividida da Alemanha para explicar dilemas que, no seu entender, continuam sem solução. A historiadora defendeu que o país permanece “incapaz de definir o rumo que quer seguir”, uma indecisão que, diz, se repercute no funcionamento da própria União Europeia.
Hoyer destacou ainda que o ressentimento entre o antigo leste e o antigo oeste alemão nunca desapareceu totalmente — uma fratura que encontra paralelos no Reino Unido, onde vive desde 2011.
O Brexit surgiu inevitavelmente como tema central. Hoyer atribuiu a saída da UE à incapacidade dos responsáveis políticos “de falarem diretamente com as pessoas”, enquanto Tiago Brandão Rodrigues classificou o processo como “uma tragédia alimentada por nostalgia e medo”.




