José Teixeira apresenta conceito de habitação colaborativa no Fórum Braga; projeto industrializado prevê apartamentos de 40 m² com espaços comuns e “beleza arquitetónica”
O dstgroup anunciou que vai avançar com um projeto pioneiro de habitação colaborativa em Barcelos, destinado ao arrendamento jovem. A iniciativa prevê a construção de 200 casas com rendas que não ultrapassarão os 400 euros, um valor significativamente abaixo da média de mercado atual. O anúncio foi feito pelo presidente do Conselho de Administração, José Teixeira, durante as “Semanas da Economia” no Forum Braga.
O projeto assenta num modelo de construção industrializada, com apartamentos de aproximadamente 40 metros quadrados que são totalmente produzidos em fábrica. Este método inovador permite que as casas sejam montadas rapidamente no local e, se a necessidade surgir, desmontadas e reinstaladas noutro ponto do país. A ambição da empresa é escalar este modelo para construir cerca de 3 mil casas nos próximos cinco anos, replicando o conceito em Portugal e no estrangeiro.
Um novo paradigma: beleza e funcionalidade sem “guetização”
José Teixeira defende que a habitação de baixo custo não deve ser sinónimo de falta de cuidado estético ou segregação social. Pelo contrário, o gestor acredita que a beleza é essencial neste processo para evitar a criação de “guetos” e promover a dignidade habitacional:
- Habitação Colaborativa: Foco em espaços comuns partilhados para promover a interação social e o espírito de vizinhança.
- Qualidade Arquitetónica: Defesa de soluções acessíveis que mantenham a estética, combatendo a ideia de que o “pobre pode ter uma casa que não tenha cuidado”.
- Escala vs. Lucro: O empresário admite uma margem de lucro pequena, compensada por uma escala de produção industrial que torna o negócio viável.
Apelo à revisão do Código da Construção
À margem da conferência, o líder do grupo dst apelou a uma revisão profunda das regras do setor, considerando que o atual quadro legal está “desajustado à realidade atual”. Teixeira defende soluções mais flexíveis e económicas que se adequem aos novos estilos de vida:
«Temos um código da construção que é de meados do século passado. Nós ainda temos de ter de colocar uma banheira num apartamento. Quem não quiser não tem de a pôr.»
O gestor propõe apartamentos mais pequenos, mas confortáveis e financeiramente acessíveis, sublinhando que o futuro passa por reduzir a burocracia no licenciamento. Segundo revelou, o Governo estará já a preparar nova legislação para incentivar este tipo de construção industrializada.




