A erosão costeira na zona da Bonança, na vila de Fão (Esposende), está a deixar moradores em sobressalto.
João Carvalho, residente permanente numa habitação junto à linha de costa, aponta o dedo à instalação de pontões como fator que “tem acelerado o processo” e defende que as estruturas foram colocadas depois da concessão das casas, alterando a dinâmica natural do mar.
Ver esta publicação no Instagram
“Este pontão é posterior à casa”, afirmou ao E24, garantindo que o fenómeno é semelhante ao que está a acontecer em zonas próximas, como Cedovém e Pedrinhas.
O morador diz que tem tentado alertar as autoridades, mas sem resultados. A única resposta, refere, veio da Proteção Civil municipal, que terá admitido não ter margem de atuação e o encaminhou para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade com jurisdição sobre a área.

Desde então, João Carvalho garante que tem enviado e-mails para a APA a pedir intervenção, mas afirma não ter recebido qualquer resposta. “Telefonar ninguém me atende o telefone, ninguém me diz nada”, lamenta.
O cenário, diz, agravou-se nos últimos dias. “Nos últimos três dias perdi cerca de 10 metros de terreno”, relatou, acrescentando que a falésia está agora a cerca de sete a oito metros da casa. Segundo o morador, o impacto das ondas é sentido dentro de casa: “Cada vez que bate uma onda nas rochas, a casa vibra toda”.
João Carvalho afirma não ter alternativa habitacional e admite sentir-se “sozinho” e sem apoio institucional. “Não consigo trabalhar, não consigo dormir”, afirmou, referindo também danos morais associados à situação.
O morador recorda ainda que um conjunto de pedras de proteção junto à casa foi colocado “há anos” pelo anterior proprietário, por iniciativa própria, alegadamente devido à falta de atuação da APA.
Sobre prejuízos, diz que uma avaliação apontava para um valor acima de um milhão de euros, mas que o imóvel já terá perdido “70% a 80% do terreno inicial levado pelo mar”.
João Carvalho garante que, se nada for feito, os responsáveis por “ação ou omissão” serão chamados a prestar contas.




