O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Mário Passos, defende que conquistar a atenção dos jovens é hoje uma das maiores batalhas da educação e considera que a escola terá de se adaptar a uma geração profundamente marcada pela digitalização, inteligência artificial, redes sociais e utilização dos smartphones.
Num artigo de opinião publicado no Jornal de Notícias, a propósito do arranque de mais um ano letivo, Mário Passos sustenta que a transformação dos hábitos dos jovens obriga a refletir não apenas sobre a escola existente, mas sobretudo sobre aquela que será necessário construir para o futuro.
O autarca famalicense apoia parte da reflexão nos resultados do PISA, programa da OCDE que avalia competências de alunos de 15 anos nas áreas da leitura, matemática e ciências.
Segundo Mário Passos, Portugal continua próximo da média da OCDE, mas acompanha uma tendência observada em vários países: a perda de terreno na leitura e na matemática e o recuo de uma parte dos progressos alcançados desde o início do século.
Para o presidente da Câmara de Famalicão, estes resultados não podem ser explicados por uma única causa. Entre os fatores que aponta estão a crescente digitalização, a inteligência artificial, a exposição às redes sociais e aos smartphones.
“Relação dos jovens com o conhecimento mudou”
Mário Passos considera que a facilidade de acesso à informação criou um novo paradoxo: nunca existiu tanto conhecimento disponível, mas os jovens poderão estar a perder algumas das competências necessárias para o avaliar e interpretar criticamente.
“Nunca como agora foi tão difícil conquistar a atenção dos jovens”, escreve o autarca, considerando esta questão uma das grandes batalhas educativas da atualidade.
O presidente da Câmara defende, por isso, que limitar a utilização dos telemóveis nas escolas poderá ajudar, mas está longe de resolver o problema.
A resposta, sustenta, passa por estimular a curiosidade dentro e fora da sala de aula e desenvolver nos alunos a capacidade de interpretar, questionar, argumentar, resolver problemas e construir pensamento próprio.
Para Mário Passos, apesar da inevitável evolução tecnológica, “a escola do futuro” terá de continuar a ser “profundamente humana”.















