A depressão Marta deverá agravar significativamente as condições meteorológicas em Portugal continental este sábado, com a Proteção Civil a classificar o cenário como “extremamente preocupante”.
O país mantém-se em alerta devido ao risco elevado de cheias, inundações, vento forte, agitação marítima e queda de neve, depois de várias semanas marcadas por sucessivas tempestades.
Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), a previsão aponta para um novo agravamento do mau tempo, com impactos esperados em diferentes regiões ao longo do dia. Durante a manhã, a situação deverá ser mais crítica na Área Metropolitana de Lisboa, estendendo-se depois ao litoral alentejano e Algarve, antes de se deslocar para o Norte do país durante a tarde.
O primeiro-ministro Luís Montenegro revelou esta sexta-feira que os prejuízos provocados pelas depressões das últimas semanas já ultrapassam os 4.000 milhões de euros, um valor que deverá ainda aumentar caso o cenário meteorológico se confirme.
Cheias, evacuações e população deslocada
De acordo com o último balanço da Proteção Civil, mais de 1.100 pessoas encontram-se deslocadas das suas habitações em várias zonas do país, com maior incidência na Lezíria do Tejo e no Algarve. Só na região da Lezíria, várias localidades foram alvo de evacuações preventivas, incluindo Caneiras, Porto da Palha e Reguengo do Alviela.
No Algarve, foram retiradas famílias em zonas ribeirinhas e evacuado, por precaução, um parque de autocaravanas em Vila Real de Santo António.
As Forças Armadas mantêm um dispositivo reforçado no terreno, com mais de 2.800 militares mobilizados, apoiando operações de resgate, colocação de barreiras de contenção e vigilância. Até ao momento, foram resgatadas mais de 200 pessoas e 15 animais, sobretudo em zonas inundadas.
Rios sob vigilância e risco de novas inundações
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) mantém sob vigilância várias bacias hidrográficas, com destaque para os rios Tejo, Mondego e Sado, que continuam a causar maiores preocupações às autoridades.
Além dos 42 concelhos em risco elevado de inundações, existem outros 21 concelhos com risco moderado, incluindo vários no Norte do país, em especial nas bacias dos rios Cávado, Ave, Lima e Douro.
As autoridades apelam à máxima cautela junto a linhas de água, zonas ribeirinhas e áreas historicamente vulneráveis a cheias rápidas, alertando para o risco de subida súbita dos caudais.
Energia, transportes e serviços afetados
O mau tempo continua também a afetar infraestruturas críticas. A E-Redes mantém equipas a trabalhar em contrarrelógio para repor o fornecimento de eletricidade em zonas afetadas, contando inclusivamente com o apoio de equipas estrangeiras, nomeadamente da Irlanda.
Em Lisboa, o Metropolitano anunciou medidas preventivas que poderão provocar atrasos ou constrangimentos na circulação este sábado, sobretudo em estações mais expostas a infiltrações.
Vários equipamentos e espaços comerciais permanecem encerrados devido a inundações, enquanto estradas continuam cortadas em diferentes pontos do país.
Apelos à população
A Proteção Civil reforça o apelo para que a população evite deslocações desnecessárias, não atravesse zonas inundadas e siga as indicações das autoridades locais. Em algumas regiões, é recomendada a permanência em casa, sobretudo durante os períodos de maior intensidade da tempestade.
Com a chegada da depressão Marta, as autoridades admitem que as próximas horas serão decisivas para avaliar a evolução da situação e o impacto real no território, num país já fragilizado por semanas consecutivas de mau tempo.




