Nas últimas semanas, abordei o desempenho das empresas municipais de Braga em 2025 bem como os seus planos para 2026, como foram os casos da Agere, InvestBraga e BragaHabit. Segue-se a Faz Cultura.
Os indicadores referentes a 2025 desta empresa municipal apresentam-se saudáveis mas resultam de uma subsidiação extraordinária de que beneficiou em função da Braga25 – Capital Portuguesa da Cultura totalizando 81% dos seus rendimentos.
Uma vez que a sua Administração evidenciou a significativa capacidade de captação de novas fontes de financiamento, que contribuíram para uma evolução muito favorável do resultado líquido, lança-se o desafio aos seus órgãos, para a definição de uma estratégia que possibilite a conversão de rendimentos conjunturais em estruturais, para reduzir a sua dependência financeira relativamente ao município.
Dessa forma, não só o estará a libertar de algum encargo, mas também a reduzir a sua exposição ao financiamento público, que pode ser fortemente condicionado pela conjuntura nacional e internacional, e colocar em causa as actividades e o serviço prestado.
Atente-se ao cenário recentemente apresentado pelo Banco de Portugal, que alerta para a desacelaração económica além da previsão de défices para 2026 e 2027, o que trará implicações orçamentais e possíveis consequências para a Cultura como diferentes Governos nos habituaram em situações semelhantes.
Sobre o ano de 2025, e com a Capital Portuguesa da Cultura em suas mãos, resultam as seguintes e pertinentes observações:
- Execução de bilheteira inferior a 2022 e 2023;
- Quebra de 8% de visitantes nos websites i.e. menos 27 mil visitantes para a qual as redes sociais não conseguiram compensar com o aumento de 14 mil seguidores, levanta legitimas interrogações sobre um défice de comunicação;
- Fraca dinâmica do Cartão Pentágono em n.º de cartões vendidos, no nº. de cartões renovados e no n.º de bilhetes vendidos com o cartão.
O exercício actual (2026) apresenta um aumento de 11% de gastos estruturais com pessoal quando a oferta de eventos e receitas deverá baixar no pós-Braga25. Haverá que apresentar mais e melhores eventos acompanhados de resultados.
No entanto, há a congratular a aquisição da fracção do edifício do Theatro Circo, bem como a intenção de ressuscitar o Café Bristol, ainda que o encargo com a sua aquisição tenha derrapado 13,5% face ao inicialmente previsto.
Aguarda-se um plano para rentabilização deste espaço, que custou mais de 1 milhão de euros, por forma a promover a atração por esta zona central da cidade que tem perdido fulgor económico, e concretizar o “corredor cultural” apesar do plano para o Teatro São Geraldo/Media Arts que não passa da cepa torta.




