A Vicky Foods deu mais um passo decisivo na sua expansão ao anunciar a aquisição da Panrico à Adam Foods, numa operação que abrange Portugal e Espanha e reforça o peso do grupo no setor do pão.
O valor do negócio não foi divulgado, mas a transação inclui não só a marca Panrico como também os ativos industriais associados, com destaque para a unidade de produção de Gulpilhares, em Gaia.
Esta fábrica assume um papel central no acordo. Com mais de 50 mil metros quadrados, três linhas dedicadas à produção de pão de forma e uma capacidade anual de cerca de 21 mil toneladas, a unidade passa a ser um dos pilares da estratégia industrial da Vicky Foods na Península Ibérica.
A empresa espanhola, dona de marcas como Dulcesol, Be Plus e Hermanos Juan, reforça assim a sua posição num mercado onde o pão já é o principal motor de vendas. Desde 2022, esta categoria ultrapassou a pastelaria em volume de negócio, tendência que a compra da Panrico vem consolidar.
No último exercício, a Panrico registou uma faturação superior a 23,8 milhões de euros, números que ajudam a explicar o interesse da Vicky Foods em integrar a operação.
O CEO do grupo, Rafael Juan, não esconde a ambição: a aquisição “reforça a identidade como companhia de origem panificadora” e enquadra-se numa estratégia de crescimento sustentado com forte componente industrial.
Do lado da Adam Foods, a decisão é clara: sair do negócio do pão para concentrar esforços na área das bolachas. A empresa tem vindo a reforçar essa aposta, com aquisições recentes na Polónia e em Marrocos.
Segundo José Manuel Faria, responsável pela divisão de bolachas, o objetivo foi garantir “a continuidade da atividade industrial e do emprego a longo prazo” da Panrico — um ponto sensível numa operação desta dimensão.
Com mais de 70 anos de história, a Vicky Foods fechou 2024 com uma faturação recorde de 707 milhões de euros e presença em mais de 50 países. A compra da Panrico confirma o rumo: crescer fora de portas, ganhar escala e consolidar-se como um dos grandes nomes da indústria alimentar europeia.
A mensagem é direta: o grupo quer dominar o mercado do pão na Península Ibérica — e está a dar passos concretos para isso.




