O livro “Entrevistas de Mário Fernandes”, lançado na Biblioteca Municipal de Esposende, junta 74 entrevistas feitas ao longo de vários anos a protagonistas locais de diferentes áreas — sem distinção política, cultural ou religiosa – do concelho de Esposende.
A obra assume-se como um registo de memória do concelho, reunindo testemunhos de dirigentes associativos, responsáveis de instituições, empresários, agentes culturais, desportivos e sociais.
“São 74 entrevistas independentemente da ala política, cultura, credo…”, afirmou Mário Fernandes, sublinhando que procurou representar “os protagonistas da altura” e dar visibilidade a quem se destacou no concelho.
Instituições, clubes, campeões e artistas no mesmo livro
O autor explicou que o trabalho incluiu entrevistas a clubes de futebol, IPSS, campeões e artistas, citando nomes como Paulo Gonçalves e Filipa Menina, esta última com participação no livro através de letras.
A intenção, disse, foi simples: dar a conhecer ao concelho as pessoas e instituições que marcaram uma fase particularmente ativa do território.
“Espero ter dado um bom contributo para o concelho”, declarou, considerando que o livro funciona como uma “justa homenagem” a muitos dos entrevistados — “muitos ainda no ativo, outros já noutras funções”.

As entrevistas que mais o marcaram: APPACDM e homenagem a Laurentina Torres
Questionado sobre entrevistas marcantes, Mário Fernandes destacou a visita à APPACDM nas Marinhas, assumindo ter saído de lá “chocado”. Referiu ainda uma homenagem a Laurentina Torres, que descreveu como uma figura de “simplicidade e inteligência rara”.
Entre outros momentos mencionados, apontou também entrevistas a Manuel Losa, Sérgio do Fojo e ao padre Delfim, numa descrição que ilustra o tom plural do livro e a diversidade dos entrevistados.
Segundo o autor, esta obra “espalha uma realidade temporal”, funcionando como um documento que fixa a memória de um período concreto do concelho.

Quem ficou por entrevistar: Náutico, Santa Casa de Fão, Prozis e Luís Campos
Apesar do volume de entrevistas, Mário Fernandes reconheceu que ficaram nomes e instituições por incluir. Entre os exemplos apontados estão o Clube Náutico, a Santa Casa da Misericórdia de Fão, o Recreativo de Gemeses, o diretor desportivo Luís Campos e a Prozis.
O autor explicou que interrompeu o trabalho quando avançaram eleições, afirmando que tomou essa decisão para evitar qualquer interpretação política do projeto.
“Parei o trabalho para que não houvesse qualquer dúvida da minha intenção”, frisou.
Prefácio de Benjamim Pereira: “um retrato muito fiel do tecido social”
O livro conta com prefácio do arquiteto Benjamim Pereira, que considerou a obra um “retratro muito fiel” de uma década do concelho, destacando a amplitude do trabalho e o valor documental.
“O Mário fez aqui mais de 70 entrevistas e, portanto, está aqui um retrato muito fiel de um determinado período (…) do tecido social do nosso concelho”, afirmou.
Benjamim Pereira, atualmente presidente do IHRU, salientou ainda que o livro ganha relevância por incluir também o testemunho de pessoas que entretanto morreram, deixando um registo do que “as pessoas pensavam” e do que estava a ser feito nas várias áreas.
Como desafio, deixou uma sugestão direta: se estivesse na Câmara, “comprava um exemplar de cada”.
Câmara de Esposende destaca valor histórico do livro
Também Aurélio Neiva, vice-presidente da Câmara Municipal de Esposende, sublinhou o impacto do livro enquanto arquivo de memória local, descrevendo-o como “um registo extremamente importante” para o concelho.
“Estamos aqui a fazer um registo de entrevistas, de pensamentos de pessoas (…) que deixam aqui o seu testemunho, que é extremamente importante para todos aqueles que se interessam pela vida do nosso concelho”, afirmou.



