Existem momentos onde a política percebe aquilo que há muito já foi demonstrado pela realidade.
O recente anúncio feito pelo João Rodrigues e pelo Ricardo Araújo, Presidentes da Câmara Municipais de Braga e de Guimarães, de iniciar o processo de criação da Área Metropolitana do Minho é um desses momentos.
O Minho é uma das grandes forças económicas, sociais, culturais e científicas de Portugal. Uma região industrial, exportadora, com as melhores universidades e com centros de investigação de referência, empresas internacionalizadas, património, turismo, agricultura e mar.
Este anúncio não é apenas o lançamento de uma nova estrutura administrativa, é o reconhecimento de uma realidade que já existe há muito, a importância do Minho. Porque a esta região não falta dimensão. Falta, muitas vezes, a capacidade de transformar essa dimensão numa estratégia comum e numa voz política com a força correspondente. É por isso que esta iniciativa merece ser saudada.
Conheço muito bem o João Rodrigues e o Ricardo Araújo e, como tal, sei que esta ideia não se motiva por acrescentar uma estrutura ao mapa administrativo do país. Surge, sim, como uma forma de responder a problemas concretos. Porque a mobilidade não termina na fronteira de um concelho, a habitação não se resolve olhando apenas para uma cidade, e as infraestruturas, a proteção civil, a atração de investimentos e a inovação exigem ser tratadas a uma escala maior.
Braga e Guimarães são os dois principais polos urbanos da região, mas a Área Metropolitana do Minho não será um projeto a duas cidades. Será, sim, um projeto para toda a região, aberto aos municípios, às suas comunidades intermunicipais, à comunidade científica, às empresas e às instituições que todos os dias constroem o nosso território.
Os dois concelhos são marcados por uma rivalidade histórica, muitas vezes empolada pelo desporto, mas com este projeto, Braga e Guimarães, podem finalmente usar as energias das duas partes para algo muito maior. E a postura dos dois autarcas é a confirmação da postura do PSD, consciente da sua preponderância na região e da sua essencialidade para desbloquear este caminho. É graças ao João Rodrigues e ao Ricardo Araújo que fica demonstrado que a cooperação não exige que Braga deixe de ser Braga ou que Guimarães deixe de ser Guimarães. Pelo contrário, ambas poderão ser mais fortes porque não precisam de deixar de ser aquilo que são.
O Minho também é uma região europeia. Isto evidencia-se na empresa que exporta para mercados europeus e mundiais, nas universidades e centros de investigação que produzem conhecimento e numa população que todos os dias demonstra capacidade de trabalho, iniciativa e inovação. Este passo dado por João Rodrigues e Ricardo Araújo é um impulso para que o Minho possa começar a ser e a agir à escala daquilo que é.
É tempo de transformar a ambição em políticas concretas.
Melhores redes de transportes, mais habitação, infraestruturas adequadas, maior capacidade de prevenção e de resposta aos incêndios, e uma estratégia comum para a inovação e para a atração de investimentos. Estes são alguns dos desafios que se prendem pelo caminho. Mas é um caminho a ser construído por todos.
O Minho não precisa de uma Área Metropolitana por lhe faltar dimensão. Precisa precisamente porque já tem essa dimensão e porque não pode continuar a enfrentar desafios comuns de forma fragmentada.
A iniciativa de Braga e Guimarães merece todo o nosso reconhecimento. O Minho já existe, a criação da Área Metropolitana poderá ser o instrumento de verdadeira cooperação e afirmação.










