A CDU passou pela 58.ª edição da Feira Agro e deixou um recado direto ao Governo: é preciso agir já para travar o colapso da agricultura nacional.
A delegação denunciou o aumento dos custos de produção, a pressão da grande distribuição e a falta de respostas concretas.
A feira, uma das maiores do país no setor agrícola, serviu de palco para reforçar o alerta. Segundo a coligação, os agricultores enfrentam uma situação “insustentável” e estão a ser empurrados para fora da atividade.

Para Alfredo Maia, deputado do PCP, o cenário é de rutura iminente. “Os agricultores já não aguentam mais”, afirmou, defendendo medidas imediatas de apoio direto. Entre as propostas, destaca-se o reforço do apoio ao gasóleo agrícola e a compra pública de fertilizantes, como forma de travar a escalada dos preços.
A CDU liga a crise atual ao contexto internacional, acusando que os custos estão a ser transferidos para a população. Energia, banca e grande distribuição são apontadas como principais beneficiárias, enquanto os produtores ficam com margens cada vez mais reduzidas.
Um dos alvos centrais das críticas foi o setor da distribuição. A delegação fala numa verdadeira “ditadura da grande distribuição”, acusando as grandes superfícies de impor condições desfavoráveis aos produtores e de contribuírem para o aumento dos preços ao consumidor.
A coligação rejeita que os agricultores sejam responsabilizados pela subida dos preços e defende uma intervenção do Estado para equilibrar a cadeia de valor.
Outro ponto central é a soberania alimentar. A CDU alerta que Portugal está cada vez mais dependente do exterior e insiste que reforçar a produção nacional é uma questão estratégica para o país.
A delegação integrou vários dirigentes nacionais do PCP e do PEV, incluindo Vasco Cardoso, Belmiro Magalhães e Mariana Silva, além de responsáveis regionais de Braga.
Num momento em que os custos disparam e a pressão aumenta, a mensagem é clara: sem medidas concretas, a agricultura portuguesa arrisca perder ainda mais terreno.




