Hélder Sousa Silva destaca impacto direto no comércio, preços e competitividade das empresas portuguesas
O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul entra em vigor, de forma provisória, já a partir de 1 de maio, marcando um dos passos mais relevantes na política económica externa europeia dos últimos anos. O eurodeputado português Hélder Sousa Silva saúda a decisão e não tem dúvidas: trata-se de uma “janela de oportunidades” para Portugal e para toda a União Europeia.
Acordo Mercosul–União Europeia: o que realmente está em jogo
Presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as relações com o Brasil, o eurodeputado tem sido um dos principais defensores do acordo, sublinhando o seu impacto direto na economia. “Criará oportunidades de crescimento, emprego e desenvolvimento sustentável para ambas as partes”, afirmou.
Mercado de 700 milhões e menos tarifas
Com a entrada em vigor da aplicação provisória, serão eliminados direitos aduaneiros sobre 91% dos produtos logo no primeiro dia, facilitando o comércio entre os dois blocos. Na prática, isto significa produtos mais baratos, maior competitividade para as empresas e acesso a um mercado com mais de 700 milhões de consumidores.
Para Hélder Sousa Silva, o alcance é claro: “Os consumidores passam a ter mais produtos disponíveis e a preços mais apetecíveis, enquanto os empresários veem o seu mercado alargado”.
O acordo envolve países como Brasil, Argentina e Uruguai, que já concluíram os processos necessários, sendo esperado que o Paraguai finalize em breve.
Sustentabilidade e pressão geopolítica
Além do impacto económico, o eurodeputado destaca o peso estratégico do acordo. “Estamos perante um dos acordos mais ambiciosos da UE em termos de desenvolvimento sustentável”, referiu, apontando compromissos concretos no combate à desflorestação, na ação climática e na proteção dos direitos laborais.
O documento integra ainda metas como a neutralidade climática até 2050 e reforça exigências em áreas como segurança alimentar, bem-estar animal e responsabilidade social.
Num contexto internacional instável, Hélder Sousa Silva deixa um aviso claro: “A União Europeia precisa de reduzir a dependência da China e das incertezas dos Estados Unidos”. O acordo com o Mercosul surge, assim, como uma resposta estratégica para reforçar a autonomia europeia.
Apesar do avanço já em maio, esta é apenas a componente comercial do tratado. A versão completa, que inclui a vertente política e de cooperação, ainda terá de passar pelos parlamentos nacionais dos 27 Estados-membros — um processo que pode demorar vários anos.




